Sábado, Agosto 30, 2003
A General, o bonitão e o muso inspirador
Eu estava na fila do banco (um dos piores lugares do mundo pra se estar) quando dei de cara com uma ex-professora minha, de geografia. A abordei para confirmar e sorrindo, ela disse que ainda lecionava. Lembro de seu lema principal como se fosse hoje: 'eu entro dando aula e saio dando aula!'. Aquela velhinha simpática e sorridente não condizia com a 'general' que me deu aula. A turma deu este apelido a ela pelo modo militar com que nos tratava. Estudei dois anos com ela e lá, na fila do banco, era a segunda ou terceira vez que a vi sorrir. Austera, sisuda, brava, só faltava bater na gente! E de tudo que ela ensinou no velho modelo - texto, questionário, decoreba e prova- nada ficou guardado, nada aprendi. Ficou a lembrança de suas exigências malucas, como só aceitar trabalhos escritos com pelo menos 30 páginas. Hoje, exige-se dos professores um ensino construtivista, partindo do conhecimento do aluno, ensinando-o a pensar e raciocinar....mas como, se os professores aprenderam no método tradicional?
Mas muito, muito melhor do que reencontrar a professora, foi reencontrar um colega de escola. Ele sequer era da minha turma, e era um dos garotos mais lindos do colégio. Foi ele quem lembrou de mim e demorei um certo tempo pra associar a imagem atual dele com a do passado, pois estava muito mudado. O fato era que ele, que mal me cumprimentava, lembrou de mim, mostrando que eu não era assim tão insignificante quanto aparentava, senão ele não teria lembrado, e 17 anos depois! A gente as vezes encana tanto, sofre tanto por não se achar popular o suficiente...quanta besteira! Eu tinha meu lugar na turma, eu era importante, mas eu só vejo isso hoje. Trabalho num ponto turístico da cidade e por isso volta e meia estou esbarrando em alguém do passado, sempre com boas lembranças. Pena não existir uma máquina do tempo onde a gente pudesse pelo menos mandar uns bilhetinhos pra gente mesmo no passado dizendo 'Aproveite a vida! Daqui a 17 anos vc ainda vai ser popular!'. Um dos melhores reconhecimentos e que me deixou lá nas nuvens foi um professor do cursinho que reencontrei num fórum sobre meio ambiente e ele não apenas lembrou de mim como disse aos demais que eu era uma de suas melhores alunas. Eu retribuí dizendo que se sou bióloga, muito da 'culpa' é dele e suas maravilhosas aulas. Ser lembrado numa turma de 100 alunos, dez anos depois, é mesmo um troféu. Viva a professora Adélia e a tia Edilamar :)
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Atchim!!!
Nada como uma gripe pra gente lembrar a importância dos odores em nossa vida, não? Este tempo maluco...
Alguns aromas fazem parte da minha memória olfativa. Lembranças de épocas, de pessoas, lugares...assim como algumas músicas. Dentre os cheiros, não há nada melhor do que o cheiro da pessoa que a gente ama! E olha que as vezes isso se assemelha ao 'o amor é cego' : eu gostava de um menino que usava um desodorante horrível chamado Italian Pine e pra mim, naquela época, era o melhor cheiro do mundo! Um cheiro que marcou época nos anos 80 foi o perfume Absinto, da Lacqua de Fiori, que todo mundo usava por dizerem que era afrodisíaco (puro marketing) e fazia sucesso, apesar de ninguém relatar efeitos :)
De todos os tipos de homens, o pior de todos é o que cheira mal. Dá pra perdoar um monte de coisas num sujeito, relevar outras tantas, mas homem cheiroso e perfumado é fundamental!
Cheiro de lugar tb é marcante. Quem não se lembra do pavoroso cheiro de hospital? Ou do aconchego do quarto de casa, permeado pelo cheiro de quem lá dorme? Eu gostava dos cheiros do laboratório onde eu fiz estágio na faculdade. Ou do cheiro de casa limpa, depois da faxina. Estranho mesmo é a gente não sentir o próprio cheiro, não? Eu pelo menos não reconheço meu cheiro nas coisas. Falando em cheiros que gosto ou não....
Eu adoro cheiro de.....Café, bebê, pão assando, terra molhada de chuva, loção pós-barba, flores, incenso, hortelã, canela, lustra-móveis
Eu detesto cheiro de.....Cigarro, dobradinha, espiral repelente de insetos, perfumes doces e fortes, maconha, feijão azedo, frango escaldado, goiaba, solvente de tinta
Espero que meu olfato volte, em breve!
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Amor aos pedaços
Não posso reclamar. Apesar da distância que nos separa, tenho o que todo mundo sonha numa relação a dois: reciprocidade de sentimentos, na medida certa, na hora exata, da maneira esperada, alguém para compartilhar sonhos e construir planos. Para alguém que sempre achou que seria a pessoa mais sozinha deste mundo, é mais do que qualquer expectativa! E pra chegar até aqui eu vivi um longo caminho de desencontros e desencantos.
Todo mundo tem ou teve um grande amor na vida (quem não, ainda o terá, pode ter certeza!) e muitos pensam se tratar da única e definitiva chance de ser feliz, que só se ama uma vez. Eu também pensava assim. Eu lia uns romances super 'água-com-açúcar' e sonhava com o tal do príncipe encantado. Depois de algumas paixões, encontrei o amor verdadeiro num amigo por quem eu tinha uma profunda devoção e admiração. Eu era capaz de fazer qualquer coisa por ele, mesmo que isso significasse, as vezes, passar por cima de meu amor próprio. Ele, por sua vez, gostava muito de mim, poderia dizer até que a seu modo, me amava, mas não do jeito que eu o amava, ele jamais se entregou a este amor. Tínhamos tudo pra dar certo: sintonia, cumplicidade, amizade, atração física, uma história sendo construída ao longo dos anos...e tudo que tivemos foi uma relação que era mais do que amizade e menos que um namoro. E isso durou anos a fio, até que consegui romper os ciclos viciosos de terminar algo que nunca havia começado, e vivi muitas outras histórias de amor. Aprendi que a gente pode amar várias vezes, de formas diferentes, e ser feliz. Só fui entender - e perdoar - esta pessoa quando estive do outro lado da moeda. Namorei um cara incrível, que tinha tudo pra ser o par perfeito, não fosse o fato de eu ir descobrindo aos poucos que não era amor, e me desesperando com isso. Também não é fácil não poder corresponder a altura, ver que tem tudo pra dar certo e não acontecer. A gente não tem um botão de liga/desliga dentro do coração, não escolhe, por mais que selecione. Só sei que amor sem limites, uma entrega total e irrestrita ao ser amado, nunca mais...e nem quero! Uma dedicação cega e absoluta a quem se ama é suicídio. É um ter com quem nos mata, lealdade / tão contrario a si/ é o mesmo amor. Quero meu amor de hoje, cabeça nas nuvens, mas com pés no chão.
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Sexta-feira, Agosto 29, 2003
Thanks!
Meu agradecimento especial ao querido Korn, que me ajudou a fazer este blog com a maior paciência :)
Valeu mesmo!
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Terça-feira, Agosto 26, 2003
Calliantéia, o meu blog :)
No começo eram papel, caneta e um desejo de desembaraçar na cabeça os turbilhões de sentimentos adolescentes, escrevendo diários que nunca eram escritos diariamente. Depois vieram as "agendas", coloridas, clipadas, enriquecidas com fotos e sonhos, que com o passar do tempo foram perdendo gravuras e ganhando conteúdo, reflexões, idéias. Assim eu escrevi sobre a minha vida durante uns...12 anos! Há algum tempo deixei de escrever e então os blogs invadiram a minha vida, trazendo de volta a vontade de escrever, mas de uma forma nova, diferente, desafiadora (afinal nunca ninguém leu meus diários...bom, ao menos não com minha permissão!). Então aqui estou eu escrevendo de portas e janelas abertas :)
A escolha do nome
Ah, esse negócio de nome é complicado....mas enfim, inventar um nome era mesmo a minha cara ;) Calliantéia é a junção de duas palavras:
POLIANTÉIA, que significa "reunião de variados dados de um determinado tema"
CALLIOPE, minha identidade virtual há 6 anos, nickname que sempre uso, retirado da Mitologia Grega.
Enfim, um lugar onde eu possa reunir "variados dados" sobre as coisas, pessoas, sentimentos e idéias que fazem parte da minha vida. Sejam bem vindos e preparem-se para ler muuuito, pois quando desato a escrever, sai de baixo! :)
Uma caixa de conchas
Uma vez alguém muito importante pra mim estava triste e eu o levei até a praia, para ver e sentir pequenos detalhes de um lugar que gostávamos muito de frequentar. Conchas, pedras, areias formando tubos, pequenos animais, restos..fomos olhando tudo, na esperança de deixar do lado de fora os problemas da vida - e conseguimos momentos muito agradáveis! Parecíamos crianças descobrindo o mundo e tivemos uma tarde incrível e simples. É neste espírito que desejo escrever, como se eu pudesse capturar os sentimentos daquele dia inesquecível e os colocasse numa caixa de madrepérola cheia de conchas, que ao se abrir exalasse um cheiro bom e fresco de mar.
"Cada um de nós compõe a sua história / e cada ser em si carrega o dom de ser capaz / e ser feliz"
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