Calliantéia...

...é a soma de POLIANTÉIA, que significa "reunião de variados dados de um determinado tema" e CALLIOPE, minha identidade virtual há 10 anos, nickname que sempre uso, retirado da Mitologia Grega.





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Segunda-feira, Setembro 29, 2003


Recebi pelo e-mail (infelizmente não tinha o autor)

Poema de mulher

Que mulher não teve
Um sutiã meio furado
Um primo meio tarado
Ou um amigo meio viado?
Que mulher nunca tomou
Um fora de querer sumir
Um porre de cair
Ou um lexotan para dormir?
Que mulher nunca sonhou
Com a sogra, morta, estendida
Em ser muito feliz na vida
Ou com uma lipo na barriga?
Que mulher nunca pensou
Em dar fim numa panela
Jogar os filhos pela janela
Ou que a culpa era toda dela?
Que mulher nunca penou
Pra ter a perna depilada
Pra aturar uma empregada
Ou pra trabalhar menstruada?
Que mulher nunca acordou
Com um desconhecido ao lado
Com o cabelo desgrenhado
Ou com o travesseiro babado?
Que mulher nunca comeu
Uma caixa de bis, por ansiedade
Uma alface no almoço, por vaidade
Ou um canalha, por saudade?
Que mulher nunca apertou
O pé no sapato pra caber
A barriga pra emagrecer
Ou um ursinho pra não enlouquecer?
Que mulher nunca jurou
Que não estava ao telefone
Que não pensa em silicone
Ou que "dele" não lembra nem o nome?
Só as mulheres para entender o significado deste poema!!

Bom, tirando algumas poucas frases (lexotan, silicone, sogra morta, filho pela janela), caiu feito uma luva :)

Postado por Calliope, em 10:35 PM
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Sábado, Setembro 27, 2003

Adoráveis pestinhas

Eu adoro crianças. São francas, são intensas, belas e cheias de energia. Adoro estar com elas, fazendo parte de suas descobertas e sonhos. Adoro brincar e voltar à infância. Mas tem uma dúvida que me atordoa de vez em quando: POR QUE RAIOS AS CRIANÇAS GRITAM TANTO QUANDO PASSEIAM??? AAAAAAAAARGH! Acho que todo mundo que trabalha em zôo (ou qualquer lugar freqüentado por muitas crianças) vive se perguntando isso. Acho que todo adulto devia ser proibido de gritar, pelo tanto que já esgoelou quando era pequeno! Ou então eu queria instalar um sistema automático: berrou com os leões (o alvo preferido), pronto, grades se fechariam automaticamente e só voltariam a abrir quando o silêncio voltasse. Que maravilha! " leããããããão!" e TCHUM! Adeus!
Que vida medíocre, meu Deus...viver fora do seu ambiente natural, depender dos seres humanos para se alimentar e ainda por cima agüentar berros, gritos e xingamentos o dia inteirinho...não desejo isso nem pra um inimigo!

Postado por Calliope, em 12:36 AM
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Serpentário

Há uma nova funcionária na administração do Horto. Ela levou uma semana pra descobrir o que todo mundo sabe: é um local muito, muito difícil de se trabalhar. Fofoca, maldade, um tentando puxar o tapete do outro. Se vc faz algo, tá querendo mostrar serviço, se não faz, é tido como tolo ou limitado. Eu demorei um pouco mais que ela pra perceber isso, mas senti na pele o desgosto que é vc saber que sorriem pela frente e acabam contigo falando mal por trás. Pior: boicotam, sabotam, impedem. Parece que se vc fizer algo, vai evidenciar o que os outros não fazem, então é preciso não deixar os outros crescerem. O biólogo que me passou o cargo, antes de ir embora me disse: o segredo de se trabalhar aqui por e não enlouquecer é não esquentar a cabeça, falar pouco e ouvir muito. Ele ficou por quase dez anos no Horto, então sabe o que está dizendo. Com o tempo, fui percebendo que viver dando a cara para bater não era a forma certa de conseguir as coisas. Que se vc não usa uma máscara e entra no jogo, vc se machuca demais, e por pessoas que nem valem a pena. Hoje eu sei que não posso confiar em ninguém lá dentro e que até aqueles poucos que considero um tanto mais, já pisaram na bola comigo. A nova funcionária logo vai passar da fase de decepção e deixar de falar em ir embora. Ou vai quebrar a cara da outra auxiliar administrativa que quer acabar com ela e teremos então um incrível ringue no meio do Zôo! Uh uh! :P


Postado por Calliope, em 12:35 AM
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Voz da alma



Uma das grandes alegrias desta semana foi conhecer o novo CD da Ana Carolina. Difícil saber como foi que ela conseguiu se superar, se já era perfeita, hehehehe :) Cada música, cada acorde, cada letra...tudo ia chegando nos ouvidos e na alma, de tão bom. Fiquei realmente inebriada! Desde que ouvi a música nova numa rádio eu estava ansiosa por ouvir todo o CD. Isso não me acontecia desde os bons tempos de Legião Urbana, pois tive a honra de acompanhar a Legião desde o seu primeiro sucesso. Eu ainda não fui a um show dela, mas é uma das coisas que mais quero nesta vida. Esta relação mágica entre o cantor e o fã é algo que não dá pra explicar em palavras. Entre as melhores lembranças de minha vida estão fragmentos de shows maravilhosos que fui: Oswaldo Montenegro, Zeca Baleiro, Legião, Paralamas, entre outros. Nada de camarote: eu gosto mesmo é de estar lá no meio da pista, ou "preensada" na grade da primeira fila, me acabando de cantar e dançar! Ficar exausta e voltar afônica pra casa, numa catarse total.

Postado por Calliope, em 12:34 AM
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Sábado, Setembro 20, 2003

Quem mexeu no meu queijo?

Eu via este título de livro entre os mais vendidos e me perguntava do que se trataria, mas nunca o procurei numa livraria pra tirar a dúvida. Outro dia ele veio parar em minhas mãos e não o larguei até terminar de ler, o que não demorou muito, pois é um livro fino. Achei a estória maravilhosa! Certas verdades estão contidas em coisas bem simples, mas a gente não vê até que alguém ou algo enfie nossa cara dentro delas. O livro é sobre uma parábola bem simples mas de onde é possível tirar lições de vida. O livro seria perfeito, não fosse o último capítulo intitulado "debate" , completamente dispensável. Quem não consegue abstrair a moral da estória durante a própria, não merece uma versão mastigadinha no final, né? Bobagem. Mas pra quem (como eu) anda ou andava pensando na vida, vale a pena conferir.

Postado por Calliope, em 12:26 AM
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Tocando em frente

" É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso chuva para florir..."

Eu estava voltando pra casa quando tocou esta música que eu tanto gosto. Chovia mesmo e os versos caiam mansos e insistentes como a chuva. Por alguns instantes deu até pra esquecer o quanto é ruim voltar pra casa depois de um dia cheio no meio de uma chuva de vento. Não era na voz da Bethânia (infelizmente), mas mesmo assim fez eu lembrar de pessoas e situações muito boas da minha vida. Fui cantarolando até chegar em casa e ouvir outro som maravilhoso: a voz do Tiaguinho, bagunçando em casa, me esperando pra brincar. Por muitas vezes eu me pergunto: qual a razão de um dia após o outro? O que me espera? O que eu tenho feito da minha vida? Eu não sei se estou simplesmente levando a vida, tocando em frente...mas eu tenho adiado algumas coisas muito importantes pra aquilo que eu considero como sonhos de vida. É preciso chuva para florir, mas não chuva em demasia, que afogaria tudo. Como saber a dose certa de água? Só tentando...mas pra isso é preciso não ter medo de errar. Tenho o costume de anotar na agenda tudo o que preciso fazer no trabalho, para não esquecer, mas mesmo quando coloquei um " ok " em tudo, fica a impressão de que faltou algo. O que faltou? O que eu perdi? O que está nas entrelinhas? Eu não sei. Eu sei algumas coisas que preciso fazer e que vivo adiando e não vejo motivação pra começar. Mas eu não estou deprimida como eu ficava nos tempos em que fiquei desempregada. Não quero esta sensação de que estou esperando alguma coisa acontecer, só isso. Enquanto isso, que venha a chuva!

Postado por Calliope, em 12:25 AM
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Segunda-feira, Setembro 15, 2003

Tempos modernos

Estes dias vi duas coisas 'modernas', as quais dispensaria: internet para tribos indígenas e capas de pelúcia, no formato de bichinhos, para computador. Todos anunciando, orgulhosos, a instalação de internet em várias tribos...sem sentido! Tudo o que os índios precisam é de distância, a maior possível, dos homens brancos.Não falta muito para ' vendermos todas as almas dos nossos índios num leilão', como dizia o Renato. Quanto mais se imiscuírem conosco, mais se perderão. E quando eu achava que já tinha visto de tudo nesta vida, vejo as capinhas de vaca, ovelha, cachorrinho, pra monitor de computador! Arrrgh! Parem o mundo, por favor, que eu quero descer!!! Tudo bem que eu seja bióloga, ame os animais de paixão e tenha guardado a propaganda das criancinhas vestidas de mamíferos da Parmalat desde 1997, mas daí a fazer o computador parecer um panda, é um pouco demais para minha cabeça...! Não sei se isso é estar ficando velha...quem sabe as menininhas de 14 anos adorem capinhas de vaca...não sei. Só sei que desejei ardentemente ter um vestido de oncinha pra usar na ' Festa Brega' da USP de São Carlos, que eu não perdia uma, mas nunca consegui realizar este sonho de consumo.Vai ver ficou um trauma! :)


Do chão não passa, mas...

Eu não quis ir à festinha de aniversário de uma coleguinha do Titi e me arrependi, pois ele caiu o maior tombo, de boca no chão, e quebrou um pedaço de um dos dentes da frente :( Ele chegou triste em casa e minha mãe aos berros (do tipo atacando pra não ser atacada, sabe?), xingando o amigo que segundo ela, empurrou o Titi no quintal. Mas criança é assim mesmo, tem uma energia incrível, que a gente quase não dá conta de acompanhar o ritmo, e acidentes acontecem. Mesmo sabendo disso, não pude sentir um pouco de remorso de não ter ido e arrependimento de não estar lá e quem sabe, evitar o pior. Mas a verdade é que quando as coisas tem que acontecer, elas ganham uma força enorme (não lembro bem onde foi que eu li isso...). Talvez eu não tivesse evitado, mas ao menos eu estaria lá, para acolhe-lo, dar aquela segurança que só mãe dá nas horas difíceis. Partiu meu coração ver seus lábios cortados, inchados. E de nada consolou ouvir as histórias dos outros...as pessoas tem mania disso: se você conta algo ruim, todo mundo tem uma história semelhante, de um irmão, sobrinho, tia ou vizinha! É praticamente automático, basta você dizer o que houve e logo alguém vem com um 'isso também aconteceu com a filha de uma amiga minha e blablablá', pode reparar. Isso só me ajudou uma vez em que eu queimei os dedos da mão direita e tinha que fazer curativos diariamente no hospital. Cada vez era uma enfermeira diferente e elas sempre tinham histórias pavorosas, de queimaduras muito mais graves pra contar, então eu me sentia privilegiada por não ter sofrido nada mais sério e tratava de agradecer aos céus por isso. Mas agora, como mãe, tudo o que eu queria era estar no lugar dele, pra que ele não sofresse. Pra minha alegria, quando voltei do trabalho, ele estava feliz, com a boca desinchada e mostrando o dente quebrado pra todo mundo. Aluguei a fita dos 101 dálmatas II, que ele tanto queria ver, e fiquei ali, tentando não fazer aquela cara de 'coitadinho do meu filho', pra ele não se sentir pior. Vai ser uma daquelas histórias que a gente conta na mesa do almoço de domingo, pra família toda ouvir, ou então quando alguém vier me contar de uma criança que quebrou um dente e for minha vez de dizer blablablabla....;)


Postado por Calliope, em 11:27 PM
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Quarta-feira, Setembro 10, 2003

Aventura na selva

Esta semana não tive como fugir do Rodrigo, querendo meu aval sobre a nova trilha na mata atlântica a ser explorada pelos alunos e visitantes do parque. Sou responsável pelo núcleo de educação ambiental e tenho que dar meu parecer....mas eu sabia que não seria fácil abrir caminho na mata! E foi o maior 'mico'....caí, tropecei, suei feito uma maratonista em dia de prova, quase tive um peripaque lá em cima e tive que descer antes de acabar o percurso. Estou totalmente fora de forma! Se eu estava procurando um motivo pra voltar a fazer caminhadas na praia, acabo de encontrar um bem convincente! Eu gosto muito de caminhar e tenho um cenário maravilhoso pra fazer isso, o calçadão da praia. Quem mora aqui acaba esquecendo um pouco o quanto isso é um privilégio...Quantas vezes não damos valor ao que temos, não?
Enquanto eu estava ali, entre galhos, lama no tênis, subidas íngremes, praguejando o dia em que escolhi fazer biologia e a falta de fôlego, deixei de apreciar o canto dos pássaros, o barulho da água, o cheiro das plantas, a beleza e tranqüilidade do lugar. Eu parecia a Hannah dizendo que a natureza podia ser um pouco menos nojenta :)) Os estagiários subiam com agilidade e rapidez e eu ali, parecendo que tinha uns 60 anos...que horror...! Por isso decidi: vou voltar a caminhar, esticar pernas, músculos e humores. E farei a trilha inteirinha! :))

Postado por Calliope, em 10:07 PM
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O Retorno

Chega de tristeza, resolvi voltar a escrever! Às vezes a gente precisa canalizar as tristezas e vivenciá-las, numa forma de catarse, de libertação. Fugir de maus sentimentos apenas os encobrem e então o trabalho para livrar-se deles é dobrado. Lágrimas derramadas, angústia desfeita dentro do peito. Acredito que o assalto foi apenas um gatilho, uma gota final num balde prestes a ser derramado. Então fiquei triste de verdade...e passou. Foi bom ler os comentários, sentir o apoio dos amigos, ver que sentiram minha falta no UOEncontro tanto quanto eu senti por não ter ido.

Amor de pai

Semana passada recebi a visita de um dono de um criadouro comercial de animais silvestres interessado numa parceria com o zôo. Foi pouco depois do fatídico dia 3 e resolvi 'ciceronear' ele pelos zôos e aquários daqui da região, para apresenta-lo a todos os setores de fauna. Sair um pouco me fez bem e tive um dia produtivo em parcerias e muito agradável. Ele trouxe seu filho de 8 anos e seu pai na viagem do Paraná para cá. Lembrei das viagens que meu pai fazia com meu irmão e que eu morria de ciúmes por quase nunca fazer parte delas. Meninos são mais fáceis de cuidar em viagens, dão menos trabalho aos pais, que sabem cuidar de seus semelhantes. Ao menos era isso que meu pai alegava :). O filho do Ricardo, como toda criança, fazia muitos comentários e queria participar ativamente das conversas dos adultos, sendo muitas vezes repreendido por isso. O pai era atencioso, mas muito duro com o menino. Quando estávamos no prédio do IBAMA, nossa última parada do dia, do alto da sala de espera podíamos ver o garoto com o avô lá na calçada, esperando nosso retorno. Foi quando ele disse a mim, mas como se estivesse refletindo consigo mesmo: 'eu o amo tanto que até dói...tenho medo que lhe aconteça algo' . Depois disso, justificou seu jeito de tratá-lo, dizendo que o estava educando, assim como seu pai o educou. E não discordo da posição de um pai que coloca limites no filho, ensinando-o não só sobre o comportamento, mas sobre a vida. Mas penso: será que o menino sente isso? Imaginaria ele o pai falado dele com tanta ternura? Talvez não. Os pais querem sempre o melhor para seus filhos, mas nem sempre demonstram o mais importante, que é o quanto se importam com seus filhos. Se este pai dosar bem a firmeza e o carinho, vai criar um adulto seguro e com auto-estima elevada (claro que os conheci muito pouco para julgar seu relacionamento). Mas os homens não são criados para dizer o que sentem, aprendem a engolir as lágrimas e serem machões. Então muitos quando crescem não sabem expressar seus sentimentos..fogem de compromissos, não se entregam às relações que têm. Queria que o pequeno Fernando ouvisse seu pai falando do imenso amor que tem por ele, com a voz embargada de emoção e com o olhar mais acolhedor do mundo. Pro bem de seus futuros relacionamentos!

Falando em amor sem medidas...

Bom, depois das desventuras dos últimos dias, tive a melhor das compensações: uma surpresa do meu querido Léo. Ele enviou flores e um coração enorme de pelúcia, tudo muito lindo! Ele me comove nos menores detalhes, em cada palavra, cada gesto, até mesmo em seu silêncio. Eu sinto seu amor, seu cuidado, seu carinho e me sinto a mais feliz das mulheres deste mundo! Ser amada é uma dádiva, um presente dos céus. A sorte de um amor tranqüilo, com gosto de fruta madura :)
Léo, eu te amo!

Postado por Calliope, em 10:06 PM
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Adorável Estela!

Obrigada pela força na criação do link dos blogs dos amigos. Você é jóia! :)

Postado por Calliope, em 10:04 PM
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Quarta-feira, Setembro 03, 2003

Hoje a tristeza não é passageira.....

Como tudo fica cinza quando a gente está triste. As piadas do pessoal do trabalho, o pastel especial da Cida, as músicas que gosto....nada tem graça. Passei o dia amuada, encolhida, desolada. O Beto, outro biólogo que trabalha comigo, trouxe até bolo de morango pra comemorar nosso dia (3 de setembro é dia do biólogo). Ganhei abraços e beijos. Nada surtiu efeito. Eu até sorri alguns instantes, mas logo chegava alguém que não sabia do assalto que teve em minha casa e eu contava, pra justificar o jururu que eu tava. Na verdade eu nem posso reclamar muito, porque ninguém ouviu o barulho e fomos todos preservados de uma tragédia, caso houvesse um confronto com os assaltantes. Restaram bolsas reviradas, prejuízos na carteira, celulares levados. Meu relógio, que eu tinha há tantos anos...Ficou a insegurança, o medo do retorno, a construção apressada de um muro mais alto, o reforço dos cadeados e da revolta de ser usurpado dentro de casa. Vinte anos nesta casa e esta é a primeira invasão deste gênero. Fui assaltada nas férias, fora de casa, em outra cidade...e agora minha casa. Definitivamente este ano será inesquecível ! Eu ia a São Paulo, a mais um UOEncontro, rever o Rodrigo e os demais amigos paulistanos, mas estou completamente desanimada. Em vez de luz, tem tiroteio no fim do túnel.

Postado por Calliope, em 11:24 PM
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Terça-feira, Setembro 02, 2003

Santa Tartaruga, batman!!

Trabalhar no Zôo tem cada uma...Volta e meia tem alguém pedindo uma tartaruga ou jabuti pra curar bronquite! Eu não conhecia esta lenda até começar a trabalhar no Zôo e já perdi a conta das vezes que recebi gente me pedindo tartaruga pra doar, comprar ou emprestar. Dizem que se colocar a tartaruga debaixo da cama da criança doente, a bronquite sai da criança, passa pra tartaruga, que se cura sozinha!!!!! Nesta semana tive que ouvir uma mãe dizer: " você não tem filho? Não tem coração?" após explicar que não poderia emprestar o animal a ela. Eu poderia dizer que tenho filho sim e que no caso dele ficar doente eu recorreria ao pediatra e a Deus, não a uma tartaruga, mas isso só faria aumentar o olhar de ódio daquela mulher e não a faria mudar de idéia. Não é à toa que tem tanta seita por aí : as pessoas acreditam em qualquer coisa! Pensando bem, acho que vou abrir sessões de tartarugoterapia e faturar uma grana! Fala sério!

Postado por Calliope, em 11:32 PM
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Pais & Filhos

Tenho um anjinho barroco em casa chamado Tiago. Cabelos loiros e cacheados, olhos azuis e bochechas rosadas (nem parece meu filho, hehehe). Mesmo chegando cansada do trabalho, reservo um tempo para brincarmos, pois ele espera ansiosamente por isso. E haja pique pra acompanha-lo! As vezes não dou conta de tudo que ele quer fazer (especialmente quando ele quer jogar bola...), mas procuro não negligenciar estes nossos momentos, pois passo o dia todo longe dele, que é a coisa mais preciosa que tenho neste mundo. Não é fácil ser mãe e pai ao mesmo tempo, mas eu conto com a ajuda da minha mãe e meus irmãos. Gosto de contar estórias pra ele antes de dormir, como meu pai fazia. Ele está na fase dos super heróis, da imaginação, das lutas, castelos, dragões, príncipes e princesas. Gosto de entrar nesse universo mágico dele. Não há nada mais gostoso do que sua risada franca e aberta, seu abraço dado sem motivo especial. Ele não é muito dado a beijos, mas de abraço ele gosta! Dorme abraçado a mim, mexendo no meu cotovelo (mania que não gosto muito, mas tolero). As vezes ele me conta alguma coisa que aconteceu na escolinha, mas não é sempre. Ontem ele cantou pra mim uma música que aprendeu por lá e que eu não conhecia. Eu queria poder participar mais da vida dele, ter mais tempo...mas como não posso, otimizo o tempo que temos juntos para que se torne inesquecível. Claro que ele é mimado : filho único, sobrinho único, neto único, sobram agrados pra todos os lados. E cada a mim o papel de vilã, aquela que corta o barato, impõe limites, diz não, afinal alguém tem que fazer estas coisas. Enfim, entendo porque minha mãe era tão chata :) Tiago não foi planejado, mas foi querido: eu sempre desejei ser mãe e estou me realizando com isso. Ele é a razão da minha vida, meu presente dos céus, meu amor eterno. Por ele eu sou capaz de qualquer coisa, faria qualquer sacrifício. Acho que ele entende isso, apesar de só ter 3 anos. Deus me deu ele no mesmo ano em que levou meu pai e eu tenho certeza de que fez isso para que eu suportasse a perda. Ele levou um grande amor e me deixou outro, pra que eu não morresse junto. E lá de onde ele estiver, deve estar todo orgulhoso do neto, que queria tanto conhecer e não deu tempo, tenho certeza.

Postado por Calliope, em 11:31 PM
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Segunda-feira, Setembro 01, 2003

Este meu último post me remeteu a uma crônica de Luiz Fernando Veríssimo, que hoje uma amiga (beijo, Dri!) me enviou e que eu já conhecia parte de seu conteúdo.

O quase

Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto.
A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

Postado por Calliope, em 1:31 AM
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If tomorrow never comes (K. Blazy e G. Brooks)

Sometimes, late at night
I lie awake and watch him sleeping
He's lost in peaceful dreams
So I turn out the lights and lay there in the dark
And the thought crosses my mind
If I never wake up in the morning
Would he ever doubt the way I feel
About him in my heart

If tomorrow never comes
Will he know how much I loved him
Did I try in every day to show him every day
That he's my only one
And if my on earth were through
And he must face this word without me
Is the love I gave him in the past
Gonna be enough to last
If tomorrow never comes

Cause I've lost loved ones in my life
Who never knew how much I loved them
Now I live with the regret
That my true feelings for them
Never were revealed
So I made a promisse to myself
To say each day how much he means to me
And avoid that circumstance
Where there's no second chance to tell him
How I feel

So tell that someone that you love
Just what you're thinking of
If tomorrow never comes

Conheci esta música do Garry Brooks na bela voz de Renato Russo.
Esta é uma das músicas que mais gosto e condiz muito com o que penso. Sempre gostei de demonstrar o quanto eu gosto das pessoas, sejam amigos, familiares ou amores. As pessoas que são importantes na minha vida sabem que o são. Mas nem sempre....Há cerca de 3 anos aconteceu algo horrível comigo: um amigo da época da escola me ligou quando soube que eu estava de volta a São Vicente e grávida, conversamos, marcamos de nos ver, mas nenhum dos dois se empenhou verdadeiramente pra isso, o tempo foi passando...e meses depois ele faleceu. Perdi uma chance única! Ele era um dos meus melhores amigos, não nos víamos há anos, tínhamos tanto a dizer um ao outro....e ele se foi (é tão estranho/ os bons morrem jovens). Não sei se ele sabia o quanto era importante pra mim e isso dói. Pros meus namorados eu sempre disse o quanto amava, pra minha família nem tanto. Pro meu filho eu digo diariamente, e de várias formas, afinal ele ta com 3 anos e entende melhor a linguagem corporal. Pro meu amor, Leandro, eu digo tanto que às vezes temo parecer repetitiva demais :) Outro dia escrevi pra minha ex-orientadora do mestrado, que foi tb orientadora da minha iniciação científica, dizendo o quanto ela foi e ainda é importante pra minha formação.
Por mais que a gente demonstre com gestos ou atos e que eles sejam mais importantes e significativos que as palavras, ouvir é sempre bom. Dá aquela certeza que lá no fundo a gente precisa ter. Relacionamentos precisam ser cultivados e demonstrar faz parte disso. Dizer faz bem a quem diz e a quem ouve. Descobri recentemente que deixei de fazer isso justamente num ambiente importante: o meu trabalho. Eu preciso demonstrar o quanto valorizo alguns de meus estagiários e funcionários. Descobri que uma de minhas melhores estagiárias tinha (ou tem) de mim uma imagem de alguém frio e duro, tão diferente do que eu sou (quem me conhece sabe o que estou dizendo). Às vezes eu tenho agido de forma diferente por proteção, mas aí eu contrario tudo o que acredito! É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, dizia o Renato Russo. E na verdade, não há.

Postado por Calliope, em 1:13 AM
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