Quarta-feira, Março 31, 2004
Férias!!!
O recibo que assinei tinha a seguinte frase: aproveite o seu merecido descanso! Pode deixar que seguirei à risca, hehehe. :) Quando pedi pra que as minhas férias passassem de janeiro para abril (para fugir da temporada e por causa do curso de férias), não imaginava que elas viriam em tão boa hora. Tive mais uma discussão terrível com meu chefe, que ainda por cima, como se não bastasse, convocou o setor inteiro pra servir de platéia. Sim, porque a metralhadora tava apontada só na minha direção, apesar da convocação ter sido geral. Tudo o que eu pensava era que eu terei um mês inteiro para digerir o sapo, um mês longe! Irei viajar, passear, descansar...respirar! Fazer aquelas coisas que nunca dá tempo: visitar um amigo, arrumar gavetas, assistir ao por do sol na praia. Eu não quero ficar remoendo a briga, pensar nas coisas que deveria ter dito (e olha que falei pra caramba!), isso faz mal, pra mente e pro coração. Eu sei o meu valor e sei que as pessoas que estavam naquela sala, exceto o todo-poderoso, sabem também. Eu rebati todas as acusações, apesar dele não aceitar meus motivos ou razões. Vou de consciência tranqüila, de que estou cumprindo meu papel. Férias, aí vou eu!
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É pique, é pique, é hora, é hora, rá-tim-bum!
O aniversário do Titi foi ótimo! Pela primeira vez ele curtiu pra valer a festa, brincou, dançou, pulou, se esbaldou. Das outras vezes ele esteve doentinho, nem aproveitou...tanto que ano passado eu nem fiz. A festa foi uma mistura de Scooby-Doo com Estorinhas de Dragões, dois desenhos animados que ele adora, e que era pra ser apenas um bolinho, mas acabou virando um festão. Foi a primeira vez que levei o pessoal do trabalho em casa e estava um pouco apreensiva com isso, mas foi tudo bem. Até o Ricardo, meu queridíssimo amigo, veio, e ficamos espantados ao nos darmos conta de que nossa amizade está beirando os 20 anos! Quando ele começou a vir em casa, meus irmãos, os gêmeos, tinham a idade do Tiago. Eu me lembro do Ricardo sentar no chão pra brincar com eles, e agora ele vem brincar com meu filho, tão bacana isso! Fiz o Titi cumprir a promessa de me dar a chupeta, apesar do meu coração ter ficado apertado quando ele perguntou se eu tiraria o "leitinho" da noite também. Expliquei que o leite com nescau e o travesseiro ele pode ter pra sempre :) Ele ficou eufórico com os presentes e acabou indo dormir super tarde, o que ajudou a não sentir tanto a falta da chupeta, mas também não impediu o choro no meio da madrugada. Foi mais fácil do que eu imaginava e já na noite seguinte ele não chorou mais. No outro dia, havim restos de brigadeiro, papel de bala de coco e balões estourados por toda a parte, mas a alegria que demos ao pequeno foi tanta que compensou todo o trabalho seguinte.:)
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Sábado, Março 27, 2004
Soul Parsifal
Ninguém vai me dizer o que sentir
Meu coração está desperto
É sereno o nosso amor
E santo este lugar
Dos tempos de tristeza tive o tanto que era bom
Eu tive o teu veneno e o sopro leve do luar
Porque foi calma a tempestade
E tua lembrança a estrela a me guiar
Da alfazema fiz um bordado
Vem meu amor
É hora de acordar
Tenho anis, tenho hortelã, tenho um cesto de flores
Eu tenho um jardim e uma canção
Vivo feliz, tenho amor
Tenho desejo e um coração
Tenho coragem e sei quem eu sou
Eu tenho um segredo e uma oração
Vê que a minha força é quase santa
Como foi santo o meu penar
Pecado é provocar desejo
E depois renunciar
Estive cansado
Meu orgulho me deixou cansado
Meu egoísmo me deixou cansado
Minha vaidade me deixou cansado
Não falo pelos outros
Só falo por mim
Ninguém vai me dizer o que sentir
Tenho jasmim, tenho hortelã
Eu tenho um anjo, eu tenho uma irmã
Com a saudade teci uma prece
E preparei erva cidreira no café da manhã
Ninguém vai me dizer o que sentir
E eu vou cantar uma canção pra mim
Hoje me deu vontade de ouvir Legião Urbana, enquanto fazia o bolo de aniver do Titi. Na metade da primeira música minha mãe apareceu na cozinha e perguntou se era Renato Russo que tava cantando. Quando eu disse que sim, ela disse: " nossa, filha, falou tanto dele hoje na TV...". E eu fiz aquela cara de interrogação, até olhar o calendário e ver que dia era hoje. Coincidência ou não, o fato é que eu não ouvia Legião há muito tempo e fiquei arrepiada. Então resolvi postar uma das músicas que mais amo, como forma de lembrar os 44 anos que ele estaria fazendo por aqui. Em meio a músicas tão pesadas do CD "A tempestade ou o livro dos dias", Soul Parsifal soa como a calmaria, o porto seguro, o momento de tranqüilidade. Foi amor à primeira ouvida :) E é assim que eu prefiro lembrar dele: decidido, forte, mas ao mesmo tempo sereno, suave, cantando despretensiosamente, sem querer ser um ícone ou ídolo, falando só por ele ;) E que falta nos faz as suas canções, que buraco causa em nossa alma a lacuna que ninguém preenche. Que tristeza me alcança pensar nesta saudade que os anos só farão crescer. Com a saudade teci uma prece, com cheiro de hortelã, jasmim, anis. Sempre Renato Russo, sempre Legião Urbana.
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Quinta-feira, Março 25, 2004
Pedaço de bolo
Segunda, dia 22, foi aniversário do meu Titi. Quatro aninhos, que serão comemorados no domingo, com bolo e brigadeiro :) Ele está tão grande, tão esperto, tão lindo (e eu, tãããão coruja, hehehehe)! Dormindo no sofá em todas as vezes que estou no computador, ele parece um anjo, com seus cachinhos dourados e bochechas sempre rosadas. Ele tem uma energia que parece infinita, um pique que quase não acompanho, mas não resisto aos seus pedidos de brincar assim que chego do trabalho, por mais cansada que eu esteja. Seu sorriso é a minha recompensa diária. " Mamãe!!" grita ele, me recebendo com se não nos víssemos a uma eternidade, apesar de termos estado juntos na hora do almoço. Agora ele está na fase dos porquês, e vive perguntando coisas. Ultimamente tem me questionado sobre que animais existem. "Tubarão existe? E baleia? E dragão?". Fico encantada com seu raciocínio, suas associações. Quero levar ele até o zôo de São Paulo mês que vem, nas minhas férias, pra ele ver animais grandes que existem, com seus próprios olhos (acho que eu vivo falando nisso, né? Mas agora vai!). De presente de aniversário, comprei uma pequena coleção de livros que brilham no escuro, umas estórias simplezinhas de ursinhos e estrelas, mas que ele adorou. A tarefa mais difícil ficou pro final de semana: tirar a chupeta, mas ele já prometeu jogar fora. A dependência psicológica dela é muito grande, mas se eu deixar mais tempo, será ainda pior. Se eu pudesse, pouparia ele de todo o sofrimento, de tudo, o tempo todo, mas sei que com isso eu só estaria fazendo mal ao meu pequeno. Então tudo o que eu desejo é que ele cresça feliz e saudável e que continue sendo a grande alegria da família.
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Fora de moda
A veterinária do zôo, Sandra, tem comprado a revista Caras por conta de uma coleção de CDs que a acompanha (e só por isso, diga-se de passagem). Folheando a revista o pessoal do trabalho ao menos garante boas risadas com alguns dos modelitos apresentados. Vestidos de oncinha ou de flores imensas, outros que parecem camisolas, coisas cafonas. Se fosse um de nós a usar, seria tachado na mesma hora de brega... Sem conteúdo algum que se aproveite (a não ser o CD, hehehehe), mostrando pessoas que não me interessam, a revista fecharia em dois tempos se dependesse de mim para ter lucros! Sempre fui avessa a tendências da moda, acho inconcebível que alguém use algo que não lhe cai bem apenas por modismo. Achava o máximo as transgressões, a contramão de tudo, apesar de nunca ter, digamos, radicalizado o visual. Acho que o limite de tudo é o bom senso. De todas as festas anuais da faculdade, a que mais sinto falta é a "Festa Brega", da qual eu era frequentadora assídua. A transgressão total! :) Algumas coisas que eu vejo hoje eu já vislumbro como brega num futuro próximo, coisas que mesmo eu uso: babados, saias com corte desigual, faixas coloridas pra cabelo. Coisas que a gente vai rir muito quando ver em fotos e vai se perguntar " meu Deus, como eu pude?!?!". Até lá o jeito é se divertir com as peruas de Caras...
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Domingo, Março 21, 2004
O tempo não pára
Eu estava tomando café da manhã na lanchonete do trabalho quando um casal passa, abraçado, e resolve entrar. Passos lentos, movimentos calculados para não causar problemas. A iniciativa era sempre dela: ela decidiu parar, ela pede os cafés, ela abre a bolsa para pegar as bolachas. Carinhosamente o serve, por vezes levando o alimento direto na boca. Ele sisudo, calado, como se lá estivesse a contragosto, mas obediente. Que idade teria aquele simpático casal de velhinhos eu não sei, mas que vivem juntos há muito tempo, tenho certeza, pela cumplicidade explícita. Quem não sonha com um amor eterno, resistente ao tempo e suas mazelas, não? Eu fiquei muito tempo os observando. A certa altura ela me olhou e me deu um sorriso suave e doce, comentando sobre a música que tocava na rádio. Era Roberto Carlos e ao levantar para pagar os cafés, aquela senhora de cabelos cinza presos num coque e calça de Bali deu alguns passinhos, dançando, no trajeto entre a mesa e o balcão. Não sei se a minha geração chega a tanto, nem na idade, nem na longevidade do relacionamento, pois estamos numa era de relações voláteis e descompromissadas, uma espécie de solidão no século da comunicação. Mas o amor pode superar as mais pessimistas expectativas, quando é verdadeiro! E se eu viver pra tanto, quero estar como aquela senhora de olhos azuis: leve e tranqüila, feliz.
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Novos tempos
Há tempos eu queria mexer no template, mas se eu soubesse que daria tanto trabalho talvez tivesse desistido! Eu tinha os principais ingredientes: uma figura nova (e linda) da Calliope, a vontade de mudar e um amigo pra lá de especial me assessorando em tudo. Apesar do sono e cansaço e milhares de testes de cores e fontes depois, conseguimos chegar num resultado muito bacana. Pronto, nasceu! Template novo, amadurecido, pra combinar com as mudanças de tempo, de estação, de humores. Logo logo estará no ar, faltam poucos ajustes. Algumas dos amigos mais queridos também estão passando por mudanças (casamento das meninas, bebê do Jonny), mudaram templates (meninas, Descomplicado), ou resolveram finalmente ter seu próprio blog (Pop) de tanto a gente insistir. Ta faltando uma festa IRL, pra matar saudades e comemorar tudo junto!
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Quinta-feira, Março 18, 2004
Na estrada
Continuando a nossa saga em busca de informações sobre hipopótamos, o pessoal do trabalho foi hoje visitar dois zôos: o de Sorocaba e o de Campinas. Tinha tudo pra ser um dia extremamente cansativo, mas não o foi, muito devido ao grupo animado (eu, o outro biólogo, a veterinária, estagiários de manejo e engenheiros que construirão o recinto), rindo o tempo todo, fazendo bagunça na Kombi (dá pra acreditar que viajamos de Kombi?!?!?). Tirando o trecho de São Paulo, que sempre está congestionado, não importa a hora do dia, a viagem foi tranqüila, e se não fosse pelo marrento do motorista da prefeitura, teria sido perfeita. Surgiram "pérolas" dignas dos UOEncontros! Ai que falta fez o meu caderninho de anotações, hehehehe. A mais inusitada de todas foi a resposta que um senhor deu quando entramos numa cidade e perguntamos a ele se era Campinas, pois não havia placa: "desculpe, eu não sou daqui". E o Márcio ainda insistiu: "o senhor não sabe em que cidade está?", ao que ele respondeu apenas meneando a cabeça que não. Não saber nome de rua, bairro, vá lá, mas cidade?!Tive vontade de perguntar se ele sabia em que ano nós estamos! E em Sorocaba, que o homem deu a maior bronca no velhinho só porque ele estava explicando a entrada do zôo que estava fechada pra reforma? O coitado foi embora todo magoado! Sem falar nas indicações do próprio grupo, do tipo "os felinos ficam no lado contrário da frente do hipopótamo", explicado por Roberta, estagiária (não seria mais fácil dizer atrás?). Como se não bastasse, descobrimos que o dono do restaurante onde almoçamos em Campinas era de São Vicente (mundo pequeno, meu Deus!). O recinto de hipos em Sorocaba era muito melhor do que o de Campinas e espero que o engenheiros se baseiem nele para fazer o nosso. Enquanto isso, o nosso chefe foi parar no zôo de Presidente Prudente, onde tudo que encontrou foi um buraco no chão que um dia se transformará em recinto e os únicos a recebê-lo foram os pedreiros, tsc tsc tsc....que maldade :) Agora é preparar os ouvidos para o costumeiro mau humor!
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Quarta-feira, Março 17, 2004
Leis de Murphy
Por que a gente nunca fica com uma música que adoramos na cabeça? Por que tem que ser aquelas músicas horríveis que a gente nem mesmo ouviu naquele dia??
Por que quando a gente tem tempo, não tem dinheiro, e vice-versa? E quando finalmente tem-se os dois, falta ânimo pra sair e comprar?
Por que inauguram a barraca de doces no trabalho na semana em que a gente decide fazer regime?
Por que tem que chover todo fim de semana e ter uma segunda feira de céu azul e clima agradável?
Por que, entre todos os papéis que estavam na minha mesa, a chuva foi molhar justo os processos do ministério público?
Por que o dia em que o chefe está de mau humor é o dia em que mais é preciso cobra-lo das coisas necessárias?
Por que os amigos mais legais são os que menos aparecem?
Por que quando a gente mais quer lembrar de algo, menos consegue? E quando menos espera, acha algo que tinha desistido de procurar?
Vai saber.....
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Saudade no ar
Sabe que ele tem razão? Eu ando muito nostálgica. Saudosista, foi a palavra que ele usou. Mas eu diria mais, diria...melancólica. Neste tempo sem computador em casa não conseguia me dedicar a este ato de escrever, não da maneira que eu gosto de fazer. Então acabei mergulhando em lembranças, sentindo saudades, como sentia a falta do meu vício adorado, a internet :) Na falta do que fazer, aliada à insônia, acabei remexendo nos meus diários, relendo antigos (e tradicionais) registros. Recordei muitas coisas, pessoas, situações, algumas das quais eu nem fazia idéia. Verifiquei a veracidade daquilo que se diz para fazermos quando estamos diante de uma situação difícil: a gente deve se perguntar que importância aquilo fará em nossas vidas daqui a dez anos, e assim avaliar se vale a pena esquentar tanto a cabeça por isso. Relendo coisas escritas a 10, 11 anos atrás, me deparei com nomes de pessoas que hoje não faço a menor idéia quem sejam. Fulanos, ciclanos, beltranos que na época pareciam tão importantes, cuja opinião nos era tão cara....e que hoje nem sequer recordo suas fisionomias! Não acho que seja ruim ter saudades, se permitir estes momentos de " flash back". Mas viver disso é preocupante ou fazer disso algo mais importante do que o presente. Quando um amigo repara que a gente tá saudosista deve ser o momento em que tentemos o deixar de ser ;) O passado fica bem quando encerrado no meio daquelas páginas meio amareladas. Tentarei deixa-lo lá.
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A ponte
Hoje eu tive um dia muito difícil no trabalho, passando um "stress" que eu nem merecia. As vezes a gente pensa que algumas coisas mudaram, quando na verdade só existe um verniz, cobrindo a cor desbotada debaixo. No entanto eu lembrei da estorinha da ponte (que eu nem sei se já comentei aqui). É sobre um casal que passava por uma floresta quando lembrou-se que logo a diante teria que passar por uma ponte caindo aos pedaços. E logo a mulher se pôs a reclamar (tinha que ser a mulher né? hehehehe), dizendo que a ponte era perigosa, maldizendo o caminho que os levaram até aquele local, culpando o marido por estarem ali, prestes a passar por aquela situação. O marido logo se irritou, rebatendo as acusações, dizendo que por ele tinham feito outro caminho, perguntando quem cuidaria dos filhos caso os dois caíssem da tal ponte. Xingaram o governo, por ter deixado a ponte chegar naquele estado lastimável e se agrediram até chegar na beirada da ponte, onde, completamente envergonhados, verificaram que a ponte havia sido consertada, era praticamente nova e que, portanto, toda aquela briga havia sido sem o menor motivo. E foi assim que eu me senti, quando tive que encarar a minha ponte: não era tão ruim quanto parecia, apesar de não ser uma ponte consertada ou nova. Eu apenas não tinha percebido alguns pontos de apoio nela.
Eu realmente não entendo as pessoas que fazem maldade com as outras por simples prazer, mas elas existem. Pessoas que não se importam, que desejam mal, que colaboram pra ferrar os outros. Pessoas que se disfarçam de colegas, mas que na primeira oportunidade, ajudam a puxar o tapete. Por mais de uma vez eu tive oportunidade de ferrar uma pessoa que eu não gostava, cuja simples presença incomodava, mas não o fiz! Mesmo sendo ele um perfeito idiota (e que também não gostava de mim), eu o poupei em duas situações difíceis, porque não tinha motivo algum para fazer aquilo. Ele nunca vai saber a denúncia que eu deixei de fazer e me dou por satisfeita.Mas muita gente não pensa assim e não perde a oportunidade por nada neste mundo. Hoje tentaram me prejudicar, mas não conseguiram. E o que eu mais gostei foi não ter me entregado a esta dor, nem me dobrado a isso. Mesmo com vontade de chorar, eu não o fiz, apesar de não ter me livrado da angústia até "chegar na ponte". E estou aqui, do outro lado, sã e salva!
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Sexta-feira, Março 12, 2004
Bons tempos
Até que enfim o micro foi pro conserto :) E talvez já neste fim de semana eu o tenha de volta....! Só não estou mais feliz porque hoje não foi um dia bom no trabalho...morreram alguns animais mas felizmente, nenhum envenenado!!! Falando nisso estive na terça visitando o Zôo de São Paulo...que tristeza...recintos vazios, afastamentos duplicados, polícia pelo parque....Fomos (eu e meus estagiários) pesquisar sobre o hipopótamo, próximo animal a recebermos no nosso mini-zôo. Depois de pesquisar na biblioteca, fomos dar uma volta pelo parque, algo que durou cerca de 3 horas e nos rendeu muito, muito cansaço (mas valeu a pena!).
E falando em bons tempos....
Achei o caderno de anotações do meu estágio na faculdade, no Departamento de Ciências Fisiológicas. Foi como se transportar no tempo. Lembrei das pessoas, as risadas, o cheiro dos produtos químicos, o telefone tocando, o barulho dos oxigenadores nos tanques de peixes, os experimentos, o rádio ligado na única estação decente da cidade. O clima era bom, era uma equipe que realmente trabalhava em conjunto. A divisão de graduação/mestrado/doutorado quase não se percebia, pois todos auxiliavam e ensinavam todos, sem hierarquias. Claro que haviam problemas: computadores lentos, internet caindo toda hora, disputa pelos equipamentos, falta de material, fofoca...mas nada disso ficou impresso de maneira significativa nas memórias. Prefiro recordar o toc toc dos sapatos da Marisa, nossa chefe, chegando no corredor, que dava um frio na barriga e fazia todo mundo checar se estava tudo em ordem, pra não levar bronca. Marisa era uma mãe disfarçada de orientadora, tamanho era o cuidado conosco. O que terá acontecido a cada um deles? Como estará o lab? Uma nova turma deve estar lá, passando por tudo que passamos. Hoje estou do outro lado da moeda, selecionando novos estagiários pro setor de Educação Ambiental, tentando um dia, quem sabe, ser como a Marisa ;)
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Segunda-feira, Março 01, 2004
A máquina do tempo
Quando eu fazia Tai Chi há alguns anos atrás, no relaxamento que antecedia os exercícios o professor pedia para que imaginássemos um lugar onde nos sentíssemos calmos, seguros, religados ao melhor de nós mesmos. Era uma tarefa relativamente fácil para mim, pois existe um lugar onde me sinto exatamente assim, todas as vezes em que estou nele: uma pequena praia chamada Porta do Sol. Fica perto da minha casa e lembro exatamente quando a descobri, a emoção que foi, quando eu tinha apenas 11 anos de idade e meu irmão, 9. Parecia que havíamos achado um tesouro e, de fato, foi o que este recanto se tornou para mim ao longo dos anos. Naquele tempo ela era praticamente uma praia deserta e eu e minhas amigas nos sentíamos as donas de tudo (e é bem verdade que até hoje sinto uma ponta de ciúmes quando a vejo lotada). Na adolescência descobri a magia das visitas noturnas...foi quando o lugar passou a fazer parte de mim, e eu dele. Mais do que um palco para momentos felizes (e quantos foram!), aquele recanto se tornou a chave para fazer o tempo simplesmente parar. Estar lá, debaixo de um céu estrelado, a nos brindar com estrelas cadentes, cercado de verdes colinas delineadas pela luz da lua e um mar prateado, agradavelmente morno e convidativo, é como se por alguns instantes eu pudesse compreender os mistérios da mãe natureza, em sua plenitude. Não importa quanto tempo eu fique longe do meu recanto favorito. Ao retornar, é como se não passasse de um segundo, uma vírgula, um instante apenas. Poucas vezes experimentei momentos de paz verdadeira como lá. É um refúgio importante pra mim. Estive por lá estes dias, passando a alma a limpo. E como saí renovada :)
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And the Oscar goes to....
Há muito tempo eu não assistia a cerimômia de entrega do Oscar do começo ao fim e este ano valeu a pena te-lo feito. Foi uma grande satisfação ver o Retorno do Rei ser coroado de êxito, ganhando todas as estatuetas a que fora indicado! Nada mais justo para fechar esta brilhante trilogia. Difícil mesmo é assistir a tudo isso pelo SBT, com aquela horrrível tradução simultânea (não, quando era na globo não era melhor...) e os comentários maldosos do Rubens Ewald Filho, que se acha o rei da cocada preta. Mas tinha alguém que ganhava dele no quesito "seria melhor ficar de boca fechada": a Babi e seu sotaque carioca forçado e mal feito, entrevistando o pessoal do camarote da Brahma. Tirando isso, a noite foi perfeita :) Procurando Nemo ganhou como melhor desenho, Billy Cristal estava com seu humor afiado de sempre e os discursos de agradecimento mereciam o oscar do Homem Chavão :) Cidade de Deus cumpriu seu papel de "só de ter sido indicado já foi um prêmio" e claro, voltou de mãos abanando. Se tivéssemos ganhado seria "a tão sonhada premiação máxima do cinema internacional", mas como não foi, fiquemos com o "era apenas uma festa americana para divulgar o cinema americano e blábláblá....". Não que eu não tenha torcido, mas bem fez uma das ganhadoras (não me lembro em qual categoria) ao agradecer um primeiro lugar ao Senhor dos Anéis por não estar naquela categoria :)
PS: Falando em discurso de agradecimento, o meu muuuuuito obrigado aos amigos TG e Hannah por me ajudarem a mudar a fonte do blog :) Beijos!
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