Sexta-feira, Junho 25, 2004
Gente estranha
A Angel está certa: estamos cercados de gente estranha. Não precisa nem ir muito longe para achar alguém no mínimo esquisito. No meu trabalho há muitos tipos curiosos. Tem a Cida, na recepção, uma velha solteirona e hipocondríaca que diz que a escultura de Dom Pedro II, do museu, conversa com ela. Ela acha o meu setor completamente contaminado, a ponto de uma vez usar o ferro de passar roupa em todas as páginas de um livro que um dos meus funcionários emprestou a ela, para desinfetar!! Tem também o Celso, educado e quietinho, cuja religião não permite nem que ele se sente ao lado de uma mulher que não seja sua esposa. Eu descobri isso num dia de chuva em que saímos de pick-up, eu, ele e o motorista, mas mesmo tendo lugar na cabine ele preferiu ir na caçamba, na chuva. Tem uma senhora que cata latinhas e chama todo mundo de "coisinha", e fica cutucando os outros enquanto fala, rápida e initerruptamente, e sempre sobre as mesmas coisas, na mesma ordem. Tem a Regina, da pedagogia, que todo dia vira o banner do painel do congresso do Rio ao contrário na parede porque diz que tem erros de português que ela não suporta olhar.Mas quem se atreveria a dizer que estranhos são apenas estes tipos mais gritantes? Todo mundo tem manias e esquisitices, e que com o tempo, só acentuam. Olhando de perto ninguém é mesmo normal. Eu, por exemplo, tenho mania de falar sozinha pelas ruas, quando estou caminhando, muitas vezes sem nem me dar conta de que estou pensando alto, o que já rendeu boas risadas a quem passou perto de mim. E nem por isso deixo de achar engraçado ou estranho quando vejo outra pessoa falando sozinha na rua. :) Quer saber? Ser normal é que é ser estranho!
Sábado a noite tudo pode mudar
Sábado foi aniversário de uma ex-estagiária minha e resolvi aceitar o convite pra comemorar em Santos, no Internet Bar. Acreditem: não fui pelo nome do lugar e pasmem: não cheguei nem perto dos computadores! O lugar era muito agradável, com vários ambientes, e depois dos preços de bebidas do Rio de Janeiro, tudo parecia muito barato. E fazia tempo que eu não saía com meu irmão mais novo, o Beto, e ele é uma excelente compania pra beber e dançar :) O Beto levou um amigo e eu levei uma de minhas estagiárias, e todos bebemos muito. Tinha música ao vivo e 3 bandas se revezavam. A cerveja estava estupidamente gelada e a turma animada....resultado: enfiei o pé na jaca, bonito. Se tem algo que eu adoro é dançar, me acabar de dançar. Pra terminar fui pra pista de música eletrônica, deixando o pessoal maluco com o meu sumiço, mas não demorou a me acharem, no meio de uma nuvem de isopor picado. A noite só não foi perfeita por dois detalhes: perdi uma pulseira que eu adorava e misturei cerveja e vodka (heresia!), o que me rendeu uma ressaca homérica, igual a do chopp de vinho. De duas uma: ou eu bebo com mais frequência e volto a ter resistência ao álcool, ou paro de misturar bebida!
Anjinho não, mamãe!
Nunca tinha parado pra pensar que o Tiago pudesse se sentir incomodado com isso, mas sente. Toda vez que saio com ele na rua, alguém o chama de anjinho ou diz que ele parece ser um. Desta vez foi uma fotógrafa de uma agência que o viu na escola e pediu para convida-lo para fotografar de anjinho. Eu e minha mãe gostamos da idéia, mas logo veio a reação dele: "anjinho não, mamãe...". Titi sempre foi um pouco avesso a fotos, o que fez com que nunca nos entusiasmássemos com a idéia dele ser modelo infantil, como tanta gente sempre sugeriu. Mas quem sabe desta vez dá certo? Não vou insistir muito, respeito ele. Mas cá entre nós...ele não parece um anjinho? ;)
Distâncias
Algumas distâncias são difíceis de vencer. A distância entre o discurso e a ação. Entre o que queremos e o que podemos fazer. Entre o coração e a razão. Entre o sonho e a realidade. Cabe a nós tentarmos criar algumas pontes, arriscarmos de vez em quando. Há momentos em que a vida nos coloca diante de escolhas difíceis, onde acreditamos não ser possível achar uma solução. Cabe a nós nos embuirmos de fé ou de coragem para saltar, e nem sempre temos o impulso necessário. Adiar resoluções é também um tipo de solução, mas geralmente é a que mais nos traz sofrimento, e causa sofrimentos aos outros. Fugir, escapar, contornar, tudo isso só adia uma resposta que já temos, mas que queremos esconder ou não ver. Eu tenho me sentido assim ultimamente. Visualizo algumas decisões, mas não consigo as colocar em prática. Algumas distâncias parecem que só aumentam com o tempo, mas talvez seja o cansaço da trajetória e não a distância em si. Há coisas que simplesmente precisam ser ditas. Outras, precisam ser feitas. Tenho que parar de me proteger tanto, tenho que deixar de ser frágil. Crer em pontes invisíveis e pisar adiante. Criar as que não existem. Destruir pontes antigas. Mas tudo isso leva tempo e consome energia, energia essa que não sei de onde retirar. Mas eu chego lá!
Perdas, danos e recomeços
Seguindo a linha "desgraça pouca é bobagem" tive outro baque, outra decepção, detsa vez no trabalho, dentro da minha equipe de trabalho. Uma das estagiárias que eu mais gostava, em que mais investi, uma das que mais relevei coisas em nome da consideração, me apunhalou pelas costas, de maneira vil. Nesmo mesmo quando ela se viu sem alternativas, quando ficou sem orientador para o trabalho de conclusão de curso, nem assim ela veio a mim. Preferiu outra pessoa, de um outro curso. Ela poderia alegar que eu não me mostrei receptiva, mas eu me ofereci. Nem assim. O projeto então, nunca me mostrou. Vi a capa, em cima de sua mesa, mas não folheei aquilo que vi por acaso, sem ela ter me mostrado. Para ela, eu sirvo para muito pouca coisa. E é assim que vou tratá-la daqui por diante também. Afinal, quem vai sair perdendo é ela, não eu, disso tenho certeza. Aliás não é difícil antever o tipo de profissional que ela será. E eu fui falar com outra estagiária, procurando não repetir os mesmos erros. E mesmo tendo certeza de que ela já tinha orientador, ofereci ajuda. E qual não foi minha surpresa quando ela não só disse que não ia mais querer aquele orientador, como ficou muito feliz de eu acenar com esta possibilidade a ela! Então vou orientá-la :) E é uma estagiária dedicada, esforçada, competente de verdade, não como a outra, que só é assim quando quer. Mesmo no meio de uma decepção tive uma alegria, mostrando que tudo tem seu lado bom, que vale a pena. Isso sim, não tem preço!
Meu pintinho amarelinho....
Tava demorando para acontecer algo estranho no meu trabalho :) Desta vez um delegado destinou ao meu diretor uma caixa com 70 pintinhos coloridos! Sim, coloridos: verdes, azuis, roxos, rosas, uma verdadeira aberração. Provavelmente tingidos com anilina de bolo, para atrair a atenção da criançada. Se a gente não recebe nem animal silvestre mais, que dirá doméstico! E liga pra polícia ambiental, e liga pro IBAMA, e fala com chefe...e nada, ninguém resolve. Pelo contrário, todo mundo ri! No fim, os pintinhos foram para um sítio de um funcionário, assustar os animais de lá :) (pelo menos até a primeira chuva). Quem é pior: a pessoa que tingiu os animais? O delegado que mandou pra um zôo? O funcionário que sugeriu que matasse todos? A mãe que comprou um dos outros 80 que foram vendidos? O guarda que sugeriu que desse pros leões? O mundo anda mesmo muito complicado..e sobra pra mim!
E enquanto isso, na sala de justiça....
Enquanto isso, a marmanjada aqui na lan se pergunta: quem matou Lineu?? Dá pra acreditar nisso? Hehehehe! Uma garotada nova...jogando em rede...falando de novela....Bom, eu não faço idéia, mas também tou louca pra saber :) É Hoje!
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Quarta-feira, Junho 16, 2004
O encontro dos meus dois grandes amores
Quase todos os dias o meu filho me pede para contar estórias antes de dormir, coisa aliás que eu adoro fazer, seja porque é um momento só nosso (e temos tão poucos durante a semana), seja pela atividade em si, que acho muito prazeirosa. No meio dos clássicos infantis e contos de fadas, incluí também histórias da nossa família, falando sobre seus bisavós e até tataravós, pois acho importante ele saber sobre suas raízes. As vezes pegamos álbuns de fotos, para que ele possa ver os tais "personagens" e saiba que as historinhas são reais. Outro dia o Titi me surpreendeu em relação ao meu pai. Há fotos dele pela casa e sempre falei muito sobre ele pro Titi, que nunca entendeu muito bem este papo de "morar no céu". Enfim, de tanto ver, creio que ele já se familiarizou com a imagem do vovo Zé Carlos. Então o Titi vira pra mim e diz: "eu sei quem ele é, mãe. Ele já me visitou, e trouxe biscoito...". E disse com certeza, e mais uma vez. Dentro do que eu acredito, em termos de religião, isso seria perfeitamente possível, e na verdade, adoraria que o fosse. Era o que o meu pai mais queria e não deu tempo: conhecer o neto. Mas duas coisas me levam a crer que pode ser que não. Havia um pescador, um senhor bem velhinho, que toda vez que vinha pescar trazia biscoitos para o Tiago, então ele pode ter associado as coisas, pois minha mãe sempre dizia para ele "agradecer ao vovo" e também pelo fato de que o Tiago anda numa fase muito inventiva,e narra coisas incríveis com naturalidade, como quando ontem me contou que derrotou um monstro com chifres nos olhos :) De qualquer forma, seria o encontro dos meus dois grandes amores...e isso certamente faria muito bem aos dois!
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Sexta-feira, Junho 11, 2004
Mil e uma visitas!
Essa a marca do meu contador! Obrigada, pessoal :)
Eu coloquei um contador no blog depois que algumas pessoas disseram que sempre liam e gostavam, mas eu nunca via comentário delas. Aliás o máximo que eu consegui de comentários foi 7, se eu fosse me basear nisso, diria que o blog era um fracasso :) Então vi que existem muitos leitores quietinhos! E fica aqui uma menção honrosa ao meu amigo Wally, que SEMPRE comenta os meus posts. Eu gosto muito de escrever aqui e agradeço cada um de vcs por partilharem isso comigo. Um verdadeiro momento "te considero pra caramba!".
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O bebê globalizado do Jonny
Nasceu o bebê do Jonny! Pai loiro, mãe japonesa, e ele com nome italiano e apelido baiano, dado por Angel & Hannah :)
É mais um legionariozinho na área :) Parabéns Jonny!
Não deu pra linkar a foto mostrando o guri, mas vc pode ver aqui:
http://planeta.terra.com.br/lazer/brogs/genteestranha/images/jon_no.jpg
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Como enfiar o pé na jaca
Eu estava na sala de Educação Ambiental vendo revistas velhas, quando achei algumas revistinhas " teens" femininas, tipo Capricho, Carícia, etc. Eu adorava estas revistas na adolescência, em especial na pré adolescência :) E vejo que elas não mudaram em nada, as meninas continuam com as mesmas dúvidas, os mesmos medos, as mesmas inseguranças...até os testes são os mesmos, hehehehe! Aquelas cartinhas então...Mas estas revistas funcionavam como uma espécie de irmã mais velha, mais descolada que a mãe da gente, dando conselhos batidos, mas úteis. O legal é que muitas vezes isso é feito de uma forma divertida, como nessa cartinha:
Coluna SOS auto-estima
" Estava ficando com um menino lindo, achava que ia rolar um namoro. Mas ele me deixou sem a menor explicação. Estou me sentindo péssima. Não sei o que fazer...." (fulana de tal, 15 anos)
Resposta: É hora de sofrer. Mal de coração é inevitável e é melhor dar uma choradinha do que fingir que não está nem aí e depois ficar arrastando correntes por aí! Voce quer enfiar o pé na jaca? Enfie! Mas com classe!
Como enfiar o pé na jaca
1. Aproveite que o mês é de férias e saia todos os dias, em todos os programas legais que aparecerem.
2. Saia também nas baladas ruins, pois nunca se sabe. Nestes momentos pé na jaca, não podemos ter preconceitos! Qualquer balada é uma balada!
3. Evite, no entanto, programas onde vc pode encontrar com ELE e se lembrar que ele nem tchuns pra vc. Mas se vc o encontrar, fique dançando possuída na pista, fingindo que não está nem aí pra ele!
4. Jogue charme para qualquer coisa que se mova. Pensando bem, jogue charme para qualquer coisa, inclusive objetos inanimados. Por exemplo: aquele pretendente que sempre fica quieto num canto da festa.
5. No dia seguinte, faça compressas de água boricada nos olhos, ótimas para disfarçar olheiras das baladas. Ou, o que é mais prático: use óculos escuros. Além de tudo, é charmoso.
Parece fácil né? Ao menos esta parte do " dançar possuída na pista" eu sei fazer muito bem! :) Foi divertido ler aquelas revistas e lembrar dos meus 13, 14 anos. E claro que a gente tende a pintar o passado com cores mais amenas e pensar " ah, como eu era feliz e não sabia", mas na verdade não foi bem assim. De qualquer forma, ficaram muito mais boas lembranças do que ruins. A gente tem aquela sensação de que tem a vida inteira pela frente e isso é bom. Mas o coração partido era sofrido como agora, igualzinho! Algumas coisas nunca mudam :)
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Domingo, Junho 06, 2004
A nova Esquina-das-Listas
Quando me falaram em comunidade, de cara eu pensei que se tratava de algo semelhante a um novo MOO. Mas ao conhecer o Orkut, vi que se tratava de uma nova Esquina-das-Listas, com seus milhares de grupos sobre todos os assuntos. Em meados de 96, quando conheci a internet, a EdL ja era um distribuidor de "mailing lists" respeitado e conhecido, sendo que em 97 estava em seu auge. Ate hoje ninguem sabe ao certo porque a saudosa EdL fechou, mas foi nela que conheci alguns de meus melhores amigos, que tenho ate hoje. Por isso, nao foi dificil gostar do Orkut, que nada mais eh do que uma EdL melhorada :) Haja tempo na internet pra gerenciar tanta coisa: e-mails, msn, icq, blogs, flogs, moo, HPs e agora, Orkut! Mas vicio eh vicio!
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O dia dos namorados se aproxima....
....e com isso, fica muito mais dificil ficar bem. (detalhe, estou num micro com teclado desconfigurado, desculpe a falta de acentuacao). Evitei de falar e de escrever sobre isso nos ultimos tempos, mas resolvi dizer.
Hoje faz um mes e 15 dias que o Leandro rompeu comigo. Nao foram dias passados, mas arrastados e densos. Neste periodo nao escrevi mais, o que nao significou que eu estivesse bem, apenas um recolhimento necessario, de quem tenta reencontrar um rumo. Adotei o comportamento contrario ao dos finais dos relacionamentos passados, onde eu me pendurava de ombro em ombro, pranteando a minha dor em ombros amigos. Eu jamais tinha passado por isso, assim, desta forma. Eu precisava aprender a lidar com a situacao. Do desespero eu passei pra raiva, da raiva pra tristeza. E eh assim que estou hoje, num misto de tristeza, inconformidade e melancolia. As vezes esta tristeza transborda dentro de mim, mas eu nao a externo. Nao faco aos outros as perguntas sem respostas que me refaco todos os dias.
Num relacionamento a dois, na maioria das vezes uma pessoa se envolve mais, se entrega mais, ama mais. No meu caso, eu tinha certeza de que se um dia as coisas viessem a nao dar certo, isso jamais partiria de mim. Fui arrancada da certeza deste amor de forma tao abrupta, tao intensa e rapida, que demorei muito tempo para ter clareza sobre o que estava acontecendo. Eh como perder um braco num acidente de carro e ainda sentir as dores do membro amputado. Optar pelo silencio nao foi facil. Ainda doi falar, admitir (o que nem fiz abertamente a todos). Eh dificil dizer "nao mais" quando alguem pergunta se fico noiva no meio do ano. Mas eh pior ainda quando perguntam porque e eu nao tenho respostas, nem pra mim, nem aos outros. Tudo ficou inacabado, incerto, e nao ha nada que eu possa fazer para mudar. Como diz a musica do Oswaldo Montenegro, "aqui no coracao eu sei que vou morrer um pouco a cada dia". Minha alma esta cinza como os dias frios que o corpo tem enfrentado, so que o corpo conta com o agasalho, o cobertor, o calor que a alma nao tem. So me restou remoer tristezas e derramar lagrimas sentidas, silenciosas e continuas. Viver o sofrimento como forma de poder expurga-lo.
A unica coisa que sei eh que nao precisava ser deste jeito. Eu nao merecia passar por isso, pois fui legal com ele. Mesmo assim fui abandonada sem explicacao. E esta verdade desaba diariamente sobre mim. Desde entao eu tenho procurado descobrir um jeito de sobreviver a tudo isso. Mas houveram dias em que eu pude colocar um pouco a cabeca "pra fora do casulo". Foi quando viajei pra Sao Paulo e depois pro Rio. Nestes dias, fora da rotina, em outros lugares, cercadas de outras pessoas, pude restringir o sofrimento a alguns momentos do dia, e nao o dia todo. Nao que as lembrancas nao permeassem os meus dias e nem que fosse facil nao pensar no assunto. Mas depois de tantas tempestades, eu tive meus dias de calmaria, ainda que eu permaneca no barco, que afunda lentamente.
Tudo ficou cheio de arestas pra aparar. Havera um dia em que ao menos o dialogo devera ser retomado, nem que seja pra dizer que nada mudou. Eu vou esperar ate que ele esteja finalmente preparado pra isso. E ate la, rir pra nao chorar.
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Sexta-feira, Junho 04, 2004
De malas prontas!
Estou quase partindo do Rio. Já o teria feito, se o motorista da prefeitura não atrasasse tanto :( Mas enfim, foi bom ficar mais uns instantes na internet. Ontem a ida ao Hard Rock Café foi ótema, um lugar bacana, com gente bonita e uma banda incrível de anos 70. Andei revendo meus conceitos...eu não gostava muito de anos 70, mas até que é bom pra dançar. Tocou anos 70 em duas festas do congresso e em ambas eu sacudi as cadeiras. Conhecemos uns rapazes muito animados, que dividiram conosco a van que nos levou de volta ao hotel, e fizemos a maior bagunça. Me senti estudante de novo :) Um dos meninos era a cara do vocalista do LS Jack e ele até cantou Carla pra mim, hehehehe. Trocamos e-mails e promessas de manter contato, não só com ele, mas com o menino da veterinária que estuda quelônios e que é muito lindo. O resto fica pra depois, porque o infeliz do motorista chegou, emburrado e mau humorado como sempre. Beijos, fui!
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Quinta-feira, Junho 03, 2004
O Rio de Janeiro continua lindo!
E aqui estou eu, na cidade maravilhosa, participando de um congresso também maravilhoso :) Eu não vinha ao Rio há quase quatro anos...o Tiago era um bebê da última vez em que estive neste lugar, onde mora a família de meu pai, e onde morei na minha infância. Gosto de visitar o Rio, mas não gostaria de morar aqui, seja pelo calor excessivo do verão (ainda bem que o congresso não é no verão!), seja pela violência tão explorada pela mídia. O hotel no qual me hospedei fica no centro da cidade, onde as pessoas andam muito rápido, os prédios são muito altos e tudo parece muito cinza, como nas capitais de outras grandes cidades que conheci, como São Paulo e Porto Alegre. Claro que fui à zona sul, visitar aquela beleza exuberante, seja da paisagem ou das pessoas, que encantam o restante do mundo. Me senti no cenário das novelas das oito, hehehehehe! O Rio continua lindo e acolhedor, e estou feliz em estar aqui, revendo coisas perdidas da minha infância.
O congresso
O congresso tem aquela receita básica: reencontro dos profissionais da área, descobertas técnicas, cursos e palestras instrutivas e festas agradabilíssimas :) É muito bom estar junto de pessoas consagradas na minha área, que a despeito de serem os bam-bam-bans, sentam-se na mesma mesa de bar dos reles mortais e dão boas risadas, entre um gole e outro de alguma bebida. Eu sempre me misturo a eles, como se fosse a coisa mais natural do mundo, e marco presença, afinal quem não aparece não é lembrado. O mini curso que escolhi não cobriu as minhas expectativas e choveu no molhado, fazendo com que eu me desinteressasse e aproveitasse o tempo disponível pra visitar os familiares, mas as palestras e mesas redondas estão num alto nível, fazendo valer a pena. O hotel do congresso é luxuoso e os coffee breakes fazem a gente perder a fome pras grandes refeições (o que é bom pro bolso, hehehehe). Entre uma xícara e outra de café fumegante, a gente aproveita pra tirar dúvidas com outros biólogos e veterinários.Em vez de pastinha, ganhamos uma mochila muito simpática com o material do congresso. Aproveitei pra comprar livros e um presentinho pro Tiago (dois quebra cabeças feito de papel reciclado, ótimos) e senti falta da camiseta oficial do encontro. Não fossem as salas cheias demais, seria tudo perfeito!
As baladas
A programação social está ótema :) Coquetel de abertura, jantar, barzinho, danceteria, passeios pela cidade, tudo muito chique. O ruim é ter que muitas vezes ir direto pra festa, sem passar no hotel pra aquela produção visual necessária, mas o bom é qu acontece com todo mundo do congresso, então ninguém reclama. No primeiro dia a festa foi ao som de samba ao vivo, que eu particularmente não gosto, mas quando não tem tu, vai tu mesmo! Na danceteria sim, me esbaldei, dancei até ficar morta de cansaço (eu esqueço que não tenho mais 15 anos, hehehehe), ao som de músicas dos anos 70 e 80. Eu adoro dançar pra valer, me jogar na pista mesmo, do começo ao fim, e com a seleção de anos 80, me senti em plena adolescência de novo. Até dançar "de passinho" eu dancei! No dia seguinte ganhei dores pelo corpo e muitos comentários das pessoas que me viram pulando feito pipoca na pista, e fiquei lisonjeada com os elogios. Um dos melhores momentos foi quando tocou duas músicas da Legião: Será e Tempo perdido, que me deixaram arrepiada. Fechei os olhos e foi como se eu estivesse lá naqueles clubes em que eu costumava dançar, com a turminha de amigas inseparáveis. Chegue a ver os rostos delas, e eu, a la anos 80, com meu tênis all star de cano alto e duas cores, camisão florido e gel new wave no cabelo, felizes da vida. Tempo Perdido foi o hino da minha época e ainda é uma das minhas canções prediletas. Hoje a noite tem festa no Hard Rock Café, com direito a ala vip pros congressistas....já vou comprar o dorflex, pra amanhã :)
A família
A minha visita ao Rio não podia deixar de ter uma passadinha na familiarada. Primeiro visitei a tia Clarinha, depois fui conhecer o apartamento do meu primo Flávio e sua esposa Mônica, e pra hoje devo almoçar na tia Esli. Só nã vai dar pra ver a tia Luci, que mora em Niterói, porque é longe e eu tenho medo de ficar andando sozinha pelo Rio. Mas fui carinhosamente recebida, sendo convocada a falar muito sobre o pessoal lá de casa, colocando as notícias em dia. Se eu tivesse chegado dois dias antes, teria ido ao aniversário da filha do meu primo Carlinhos, a Rafaela, que completou 3 anos. Eu ainda comi o bolo e os docinhos, tanto na casa da tia quanto na do Flávio, e estavam deliciosos. Ela e o meu Titi são as únicas crianças da família, portanto, o centro das atenções de todos. Estar em Copacabana fez, inevitavelmente, eu lembrar do meu pai, desde que desci do metrô até entrar no quarto que era dele, na casa da tia Clara. Era como se eu sentisse sua presença lá, mas procurei não ficar triste por isso. Foi uma saudade quase gostosa e segurei pra não chorar. Tirei fotos de todos, vi a fita do aniversário da Rafaela e do casamento do Flávio, fiz planos de voltar com o Titi, pra ele conhecer o restante da família, acho importante isso. O Flávio me emocionou muito quando deu de presente ao Tiago um brinquedo dele, da sua infância, que ele poderia estar guardando pro seu próprio filho, mas deu ao meu, numa prova infinita de carinho e consideração. Não é a toa que ele é o meu primo predileto ;)
Momento te considero pra caramba
E claro que eu não poderia deixar de falar do meu querido amigo Wally!!! Reservei uma tarde toda pra sair com ele e fomos até o Leblon. O tempo estava cinzento, mas não triste, porque na compania deste meu amigo passei algumas das horas mais agradáveis de toda a semana. Quando começamos a conversar no icq e msn, houve entre nós uma empatia quase imediata, e pessoalmente não foi diferente, ele era exatamente como eu imaginava que fosse! Carinhoso, atencioso, divertido, simpático, uma graça :) Ele me pegou na igreja da Candelária, um lugar belo e sombrio, e de lá fomos a uma livraria maravilhosa, onde finalmente encontrei o primeiro CD da Ana Carolina que eu tanto queria. Andamos de braços dados por todos os lados, almoçamos no Bob's (e eu que nunca tinha comido lá, só tomado o delicioso milk shake de ovomaltine), e fomos até o mirante, onde ele deitou no meu colo e ouvimos Ana Carolina no diskman, sugestão do Korn, que foi o amigo em comum que nos aproximou. Nem parecia que a gente estava se vendo pela primeira vez, pois houve uma cumplicidade enorme, a ponto de falarmos sobre nossas vidas com a naturalidade dos velhos melhores amigos (ou como o jogo da verdade na UOE). No ônibus, cantamos Legião e Renato Russo, como eu não fazia há muitos anos. Enfim, mais um morador da ala vip do meu coração :)
Bom, e assim tem sido a minha semana. As estagiárias que vieram comigo (uma minha, duas da veterinária) estão aproveitando muito também, sobretudo os passeios de turista (praia, corcovado, pão de açucar). A gente se diverte tentando imitar o sotaque carioca, assim, meio anasalado e mole (hehehehe), mas basta falar uma frase e já percebem que somos paulistas (eu, ao menos, de coração e por usucapião). A próxima visita será ao Zôo do Rio e eu estou particularmente ansiosa pra ver o zoológico da minha infância, do qual tenho poucas lembranças, mas muitas fotos :) Acho que terei um tempinho pra contar sobre isso na volta, já que o hotel em que estou, abençoadamente tem acesso a internet :)
Como diz a Camilinha.....um beijo e tchau!
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