Segunda-feira, Agosto 30, 2004
Aqueles olhos verdes...
Vivi uma situação no mínimo inusitada, semana passada. Um rapaz alto, muito bonito, bem vestido e comunicativo puxou papo comigo na lanchonete do trabalho, num dia em que eu estava de plantão. Ele veio pedir estágio no meu setor e eu fui mostrando o local e conversando com ele, que ficou de voltar no dia seguinte, trazendo currículo e comprovantes de cursos que afirmava ter feito. Logo pensei nele pro trabalho de trilhas, por ser alto e atencioso. E no dia seguinte ele realmente voltou, bastante interessado na vaga. Mas quando mostrou o currículo e o único certificado que tinha, de uma palestra assistida há 12 anos atrás, percebi que ele não estava qualificado pra vaga,e tive que dispensá-lo. A esta altura eu já havia percebido algo de errado com ele. Ele falava de um modo estranho, tinha dificuldade para se expressar, emendava um assunto no outro sem sentido, não concluía os pensamentos, era confuso e apresentava um tremor nas mãos, parecendo ser muito ansioso. Não aceitou o fato de eu não poder aceitá-lo e continuou a me seguir, onde quer que eu fosse. Comecei a ficar apreensiva. Quando passamos pelo setor de Equoterapia, ele demonstrou interesse, e então disse que estava passando por tratamento psiquiátrico, tomando remédios e tudo mais, que sofria de transtorno bipolar de humor e de hipomnésia. Ele parecia ser uma pessoa carente afetivamente,e por eu ter me mostrado, a princípio, simpática e acessível, se afeiçoou a mim. Disse que não tinha amigos e que era muito sozinho, vendo neste estágio a chance de mudar e conhecer pessoas. Mesmo eu dizendo que não ia aceitá-lo, ele continuava se apresentando aos outros como o mais novo estagiário, o que me deixou mais assustada, com medo dele. Voltou no outro e no outro dia, alternando momentos em que agia como se fosse da equipe com momentos em que sabia que não era estagiário, e praticamente me implorava para ficar. A esta altura eu já havia alertado todo mundo que trabalha comigo, pro caso de acontecer algo ou ele começar a se tornar inconveniente. As pessoas, de início, riam muito da situação, mas depois diziam para eu ter cuidado. E eu ouvia coisas como "puxa, é tão difícil aparecer um rapaz tão bonito por aqui e quando aparece, é louco!", hehehe. Uma das minhas estagiárias procurou um pouco sobre o diagnóstico que ele afirmou ter, num livro de psiquiatria. Sabe aquele rapaz que entrou num shopping em SP, atirando em todo mundo no cinema? Era mais ou menos isso que ele tem!!! Pronto, agora eu estava em pânico. Já imaginava ele vindo, armado, dizendo " ah, vc não quis me aceitar aqui...."....cruzes....
Bem, como eu não conseguia dar um chega-pra-lá nele, de vez, pedi ao Beto, o outro biólogo, que me ajudasse. E deu certo: ele foi bem mais incisivo que eu e o rapaz nunca mais voltou (pelo menos por enquanto). Quando ele foi embora de vez, senti um misto de alívio e pena. Não tenho como ajudá-lo e não posso colocar as crianças (e todo o parque) em risco. E por muito tempo não esquecerei aquele jeito dele me olhar.
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Tem mensagem pra você
Uma das coisas que a gente mais recebe por e-mail, além de piadas e (argh) correntes, são aquelas estorinhas com fundo moral. Confesso que, como grande usuária de metáforas, gosto muito deste jeito figurado de falar sobre coisas importantes como caráter, solidariedade, esperança, entre outros valores. Claro que às vezes existem os exageros, como aquelas mensagens pesadas de powerpoint, que levam séculos para carregar porque estão cheias de frases bonitinhas e imagens fofinhas, que entopem a caixa postal da gente e tiram todo mundo do sério, hehehehe, mas excetuando-se estes quase vírus, eu geralmente gosto de receber mensagens deste tipo.
Certa vez, ainda na faculdade, recebi uma mensagem enorme sobre situações que enfrentamos na vida e me deparei com uma frase que jamais esqueci: "não importa o quanto você ame uma pessoa, um dia esta pessoa vai te decepcionar e você vai ter que aprender a lidar com isso". A princípio pessimista, esta frase traz uma verdade tão grande, que é impossível não lembrar dela quando se vivencia uma situação deste jeito. E vale para qualquer tipo de relação: família, amigos, colegas de trabalho, namoro, casamento. Por mais que você tenha uma relação excelente com alguém, um dia você vai ter uma decepção, em maior ou menor grau. Geralmente não estamos preparados para lidar com decepções. Somos todos seres humanos sujeitos a falhas, mas criamos expectativas por vezes exageradas a cerca daqueles que nos são caros. E os relacionamentos precisam de desequilíbrio para crescer, mudar, ou mesmo acabar. São nestes momentos difíceis que percebemos os verdadeiros amigos, os grandes amores,a importância de alguns laços afetivos familiares . E a gente só se dá conta depois que passou pelos obstáculos. Tenho vivido momentos de separar o joio do trigo, de aparar arestas, de mudanças, e cada vez que queimo uma ponte, descubro um outro caminho pra percorrer. E se você receber uma mensagem minha com estorinha de fundo moral, ao menos não delete sem ler ;)
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O noivado da Carol
Semana passada foi o noivado da minha irmã. Fomos todos à igreja que ela e o Gio frequentam, para asistir a bênção das alianças. Há muito tempo eu não entrava numa igreja evangélica e nesta em especial, nunca tinha ido. A princípio parecia com a igreja que frequentei anos, na adolescência (sim, eu fiz isso, hehehehe): o grupo de jovens ministrando o louvor, os membros da congregação simpáticos e atenciosos, o discurso do pastor...mas quando a banda começou a tocar, confesso que fiquei espantada com o louvor, que parecia um show de rock, e as pessoas dançando como se estivessem numa balada, numa pista de dança! Mas enfim, eu estava ali para compartilhar a alegria da minha irmã, num momento importante de sua vida. Da mesma forma que não entrei "noclima" na igreja da candelária, no Rio, ali não consegui me sentir a vontade, com aquele sentimento de visitar a casa de Deus que eu tinha antes. Mas teve um momento, durante um cântico, em que olhei para a minha irmã, que estava na fileira da frente, e ela estava tão linda, mas tão linda que me emocionei. Ela estava de olhos fechados, com uma expressão de paz em seu delicado rosto, vi ali a conexão divina que eu não sentia, mas ela sim. Vi a menina que eu criei como filha, se tornando uma mulher adulta :) Fiquei um bom tempo admirando minha irmã, tive um orgulho imenso dela. Desejei de todo coração que ela e o Gio sejam felizes, no momento da bênção das alianças. Ela merece esta felicidade toda. Não pude aproveitar o restante do culto, por conta do chilique do Tiago e pela tromba imensa da minha mãe, por estar ali a contragosto. Tive que ir embora mais cedo, com ela e o Beto, mas mesmo assim foi muito bom ter participado como pude. Só fiquei um pouco triste ao lembrar que eu também poderia estar ficando noiva, como ela....mas logo passou, porque o dia era de comemoração, não de tristeza :)
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Segunda-feira, Agosto 16, 2004
Em sintonia
De todas as coisas que tem acontecido no meu trabalho, a melhor delas foi conseguir um bom grupo de trabalho na Educação Ambiental. Estou com uma turminha muito boa, seja pela interdisciplinalidade (biologia, pedagogia, psicologia), seja pela cumplicidade conquistada através da amizade, seja pelo outro clima, menos pesado. O trabalho amadureceu, cresceu, já tem outra cara. Eu e a outra bióloga trabalhamos muito bem juntas, e as estagiárias também estão em sintonia, cada uma a seu modo, contribuindo do seu jeito. Com eles eu tenho um certo tipo de segurança que ainda não havia experimentado no trabalho. E tudo isso não quer dizer que não haja críticas, e nem que seja fácil....Mas justamente por haver cumplicidade que podemos, por exemplo, apontar alguns erros e tentar minimiza-los, sem magoar o outro. É preciso, aliás, ter cuidado com as "urucas", pois não tardarão a surgirem os comentários maldosos, os olhos-gordos, a inveja e a fofoca, cerceando o grupo, a minar-lhe as forças. É difícil, e triste, ver como estamos cercados de pessoas capazes de tudo para nos prejudicar...nunca me imaginei num meio tão competitivo, de puxação de tapete, de pisotear a cabeça do outro pra fazer bonito pro chefe. Achei que não trabalhar numa empresa minimizaria isso....quem dera....Basta ver o telefone sem fio que fizeram com um comentário meu. Eu disse "estava PENSANDO em MAIS PRA FRENTE, TALVEZ dar minha sala ao outro biólogo..." e chegou no ouvido do meu chefe " Ela está de mudança, arrumando a nova sala!!!".Mas enfim, parece que finalmente o tempo da calmaria veio trazer o descanso pras velas do barco. Eu não quero mais ficar dando murro em ponta de faca, nem provar aos outros o que eu não sou. Bem aquilo de "quero ter alguém com quem conversar, alguém que depois não use o que eu disse contra mim". E agora tenho algumas pessoas assim, com quem conversar :)
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Vício do Iogurte....
Sendo eu uma pessoa que adora escrever e palpitar, que adora lista de discussão e tudo mais, não é de se estranhar que logo me viciasse no Orkut :) E não deu outra...do pouco tempo que tenho pra dedicar aos vícios internéticos, mais da metade vai pro bendito. Lá reencontrei amigos sumidos há muitos anos, achei boa parte dos amigos com quem tenho contato, e até já fiz amizades novas. Algumas comunidades são inacreditáveis, outras discutem seriamente. A cada visita, adiciono alguma comunidade....nem sei onde isso vai parar! Quando se procura algum cantor ou banda, vc sempre acha comunidades de fãs e do tipo "eu odeio fulano!". E invariavelmente as de fãs são muito maiores dos que as que odeiam, com menos posts tb. Afinal quando vc não gosta de algo, não tem muito o que discutir, né? E ver a diversidade de gostos também é interessante. Mesmo os amigos mais chegados têm comunidades muito díspares das suas. As pessoas estão lá também por motivos diferentes, daí a peculiaridade com que se mostram, se descrevem, se expõem. Eu por exemplo, entrei pra me divertir, então logo coloquei uma foto de "palhaçada". Qual será o próximo vício? :)
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Sexta-feira, Agosto 06, 2004
Bugingangário querido
Não tem jeito. Por mais que eu tente não guardar coisas inúteis, eu tenho uma queda por bugingangas e tranqueiras em geral. E claro que quando vou procurar alguma coisa, acho milhares de outras, e me perco no tempo, revendo tudo! Dias atrás foi uma pasta, bem pesada. Abri pra ver o que tinha. Olha só....
- Uma apostila do mestrado, sobre stress em peixes (até eles se estressam, meu Deus....)
- Um bilhete de sala de aula (sabe aquele pedacinho de papel trocado mil vezes, qdo o professor não gosta que fica conversando? Este era sobre uma festa). Entre eu, o Ismael e uma tal de Patrícia, que não faço idéia quem seja, mas muito divertido :)
- Uma apostila sobre como usar ferramentas da internet (data: 1996!!!!!! Dá pra imaginar o que ensinava, né? Telnet, talk, finger....hehehehe, booooons tempos)
- O exame de proficiência em inglês do mestrado (por que raios guardei isso?????)
- Um boletim fantasma lançado no RU contra o PSTU (ah sim, esse eu guardo com orgulho!). Aquele partideco enchia o saco na faculdade.
- Um papel com os primeiros comandos que aprendi no moo (todo amassado, coitado..mas de um valor sentimental imenso!).
- Um cartão de aniversário feito pela turma pra mim, com várias assinaturas (adoro isso, tão carinhoso!)
- Um crachá do segundo moorrasco em São Carlos (o meu primeiro moorrasco, quando a gente ainda tinha que usar crachá pra saber quem era quem)
- Notas fiscais (até quantos anos a gente tem que guardar isso?? Sei lá.)
- Letras de música (bom, agora a gente tem o lyrics.com, né? Hehehehehe)
- Folders de um congresso em Porto Alegre (enfim algo mais novo: 2 anos atrás! Saudades de PoA)
- Pedido de desculpas de um motorista que me destratou, em ofício da SETRAN (eu não deixo passar batido!)
- Envelope da Estelinha onde estava o autógrafo que ela pegou pra mim, do Zeca Baleiro, num guardanapo de papel (ela não é linda? O melhor presente que ela me deu!)
- Cartas não enviadas (pra dois ex-namorados diferentes e pra um amigo. Nunca sei o motivo de não mandar, mas eu tenho várias assim, já dentro do envelope e tudo).
Quantas lembranças, de pessoas, lugares, situações, revividas ali, em cima da cama, entre risadas e olhares perdidos no tempo. :)
Enfim, guardar bugingangas não é tão mau assim!
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Criança diz cada uma....
Um post mais light, pra marcar a volta :)
Seguem alguns diálogos reais entre eu e meu filhote:
Cena 1:
-Mãe, aqui nesta praia tem tubarão? (olhando pela janela do quarto)
-Não, querido, aqui não tem tubarão...
-E ali do outro lado?
-Também não, não se preocupe.Só tem muito longe daqui.
-Muito longe?
-Sim.
-Lá onde moram as pessoas chinesas? (porque ele não pensou em japonesas? Deve ser o desenho da Sagua, do canal Futura...)
-Não tão longe, meu amor!
-Mas quando tem tubarão na praia as pessoas não acreditam, e entram, e depois saem correndo...(meu Deus, que tipo de filme andam passando na escolinha dele?!?!)
Cena 2
-Nossa, o Beto tá com a garganta inflamada mesmo... (eu, falando do meu irmão)
-É...agora ele não vai poder ir pras gandaias dele... (Tiago realmente presta atenção nas falas da minha mãe!)
- Filho, o que é gandaia? (eu, depois de conseguir parar de rir, pra ver se ele sabia mesmo)
-Gandaia é o nome de umas pessoas que a vovó não gosta. (até que não tá muito longe disso)
-Quase isso, Titi, quase isso....
Cena 3
-Mãe, você vai ter outro neném? (ele me vendo trocar de roupa)
-Não, Titi...de onde vc tirou esta idéia?
- É que seus peitos estão muito grandes....(!!!!)
Estas são algumas das tiradas dele que eu lembro. Mas ele sempre está surpreendendo a gente com seus primeiros raciocínios!
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Teste do incêndio
Estou de volta e não passei no teste do incêndio. Eu explico:
Fui ao médico e fiz os exames necessários, cujos resultados ainda não saíram, mas ao menos já sei que não se trata de nada grave. Não era câncer, apenas um tal de lipoma, um tumor benigno.Isso retirou uma tonelada dos ombros, mas ao mesmo tempo me fez perceber que se fosse, eu não estaria preparada pra isso. Do tempo que eu demorei entre perceber e tomar alguma atitude, se fosse um tumor maligno, teria se alastrado, feito estrago. Minha bisavó teve câncer numa época em que mal se sabia sobre isso. Minha avó só foi descobrir o câncer qdo caiu e fraturou a bacia, e o médico achou a aparência de sua mama estranha pra uma senhora de idade.O médico deu 3 meses de vida, no máximo, e ela viveu ainda uns dois anos. Minha tia descobriu a tempo o câncer na garganta e teve cura. Meu pai, quando descobriu o câncer no intestino, já estava bastante avançado. Anos antes ele havia tido 6 tumores benignos na tireóide.Eu pensava em cada um deles depois que descobri o tumor em mim. Pensava no filho que tenho pra criar. Via tudo desabando em cima de mim. Mas então fiz os exames, e o médico me tranquilizou. Me senti como se trabalhasse num local onde sempre tivesse treinamento sobre incêndios, mas que num dia tocou a sirene sem avisar que era só um teste. E eu saí correndo pelas escadas, gritando, atropelando os outros, tudo ao contrário do que deveria ser feito. E ao ver que não era um incêndio de verdade, vi que precisava me preparar melhor. Passar por momentos difíceis, como doenças graves, faz a gente mudar a visão das coisas. Ver que algumas situações são menos importantes do que parecem, pra vida da gente. Faz valorizar o que realmente é importante. Eu nem mesmo precisei passar de verdade pela doença (pelo menos não desta vez) pra mudar algumas coisas na minha vida. Sem falar no apoio dos amigos de verdade, tão importante nestes momentos em que a gente fica sem chão. É a segunda vez este ano que eu peço socorro e encontro muitos braços abertos, de pessoas que eu realmente gosto, e isso não tem preço. A cada um destes meus queridos amigos, o meu muito obrigado!
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