Segunda-feira, Fevereiro 21, 2005
As hipopótamas :P
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Domingo, Fevereiro 20, 2005
Da janela lateral, do quarto de dormir....
Aproveitando a música do Beto Guedes, apresento a vocês a vista da minha janela, à noite.....
Morando há vinte anos nesta casa, as vezes a gente esquece a beleza que se espalha diante dos olhos. No dia a dia, se deixarmos nos levar pelo stress e correria, perdemos coisas simples e belas, como contemplar. Ainda bem que um amigo do meu irmão tirou a foto, no natal, capturando isso :)
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Enfim, horário normal...
Ufa, o maldito horário de verão acabou! Vão devolver a minha hora de sono roubada! E desta vez sequer divulgaram a economia durante todo o período, porque certamente não deve ter nem mesmo chegado aos 1,5 % e ia ficar muito, muuuito feio, dizer isso. Divulgaram sim, a média de economia no período de pico, cerca de 5%, o que também é irrisório, e convenhamos, qualquer campanha de economia, mal divulgada, conseguiria façanha igual ou maior que esta.
As pessoas deveriam ter uma aula sobre cronobiologia, para saber o mal que causa este adiantamento anual em nossos relógios biológicos. Horas a mais de insolação? Isso o verão tem naturalmente, não precisava mexer. Ou alguém em sã consciência pode dizer "ah, eu não sabia o que era aproveitar o verão até 1985, quando inventaram o horário de verão no Brasil...depois disso, minha vida mudou!"(!!!!!!).
Quem sabe agora eu não precise mais acender as luzes da casa ao acordar, pois as 6 da manhã já deverá estar claro. E se eu acendia a luz por causa do horário de verão, mesmo não sendo no horário de pico, algo vai mal na matemática da economia. Ou quem sabe os 5% de economia no pico serviram pra compensar o aumento de 10 a 15% causado pela iluminação de natal das cidades...mais uma vez a conta não bate....Uma hora a mais de sol no fim do expediente? Pra que? Pro sol atrapalhar a minha caminhada a beira mar, as 7 da noite? Faça-me o favor. Por estas e outras, eu estou radiante pelo fim do maldito e malfadado horário de verão forçado! Nestas horas (e hoje em dia, só nestas), o nordeste do país me parece um paraíso. Lá não tem horário de verão, porque o natural é mais do que suficiente. Um dia, quem sabe, o bom senso se espalhe pelo resto do país, e pela cabeça dos governantes. E meu relógio biológico agradecerá!
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Sábado, Fevereiro 19, 2005
Banho de beleza
Eu não curto muito passar cremes. Não tenho paciência, nem disciplina pra fazer disso um ritual diário. O espelho bem que tenta me convencer de que já está na hora de usar um anti-sinais ou anti-rugas, no rosto (minha vendedora de avon e natura também tenta me convencer), mas não dá. Já comprei potes que ficaram cheios na penteadeira até perder a validade. Nem mesmo hidratantes pro corpo eu gosto de espalhar, a não ser em ocasiões especiais, onde um creminho aroma "champagne com morangos" é tudo. Mas hoje resolvi reativar um hábito da adolescência: o banho de beleza aos sábados! E lá fui eu: depilação, máscara facial, esfoliante pras mãos, cortar unhas, touca térmica nos cabelos,e um banho de hidratante de corpo todo. Na verdade não foi meramente um surto de vaidade por si só....eu estava esperando uma visita, digamos, especial ;) Mas o visitante não veio e aqui estou eu, toda perfumada e macia pro...teclado do micro. Ninguém merece isso numa noite da sábado, hahahahaha!
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Sexta-feira, Fevereiro 11, 2005
Música no ar
É, as pessoas cantam pelas ruas, não sou só eu :) Nas minhas caminhadas matinais, antes do trabalho, encontro gente de todo tipo e toda idade, caminhando também, indo pro trabalho, passeando, ou simplesmente passando. Às vezes me assusto com algum ciclista soltando a voz bem atrás de mim, ou acho graça de algum desafinado que não tá nem aí. Gente trabalhando pesado e cantarolando: pedreiros, margaridas varrendo calçadas, jardineiros. Alguns são mais discretos e passam com fones de ouvido em seus walkmans. Outros parecem cantar alto de propósito. Tenho boas lembranças das turmas de verão cantando pela rua, a caminho da lanchonete, da praia, ou qualquer outro lugar, e ao mesmo tempo, se vejo algum grupinho fazendo isso hoje em dia , acho patético. Tipo cantar em videokê, que só tem graça se for com o pessoal da gente, mas ouvir os outros é horrível! Como diz o Léo Jaime, a alegria da mesa ao lado, no barzinho, incomoda.
É bacana ver que os outros também são movidos à música, que fazem suas trilhas sonoras, que terão boas recordações de épocas, pessoas e situações. Eu gosto de fazer tarefas domésticas ouvindo música e cantando junto (perdoai-me, pobres vizinhos de todos os tempos....), ou de deixar o rádio ligado no trabalho, nem que seja pra reclamar das programações atuais, até achar uma estação recheada de flash backs.
Eu sou muito suscetível quando se trata de músicas que lembram das pessoas. Basta alguém comentar que gosta de tal música, mesmo sem a estar ouvindo, que automaticamente lembrarei desta pessoa quando a ouvir. Ou se uma letra condiz com alguém, também associo. Bandas e cantores também. Sempre vou lembrar do Victor quando ouvir Madonna, do Beliel quando ouvir Alanis, da minha mãe quando ouvir Roberto Carlos, assim como muita gente lembra de mim ao ouvir Legião ou Ana Carolina (ou ainda, quando ouvir O amor e o poder, da Rosana!!!!).
Ouvir música é desestressante, é uma catarse, uma viagem. Dá pra esquecer os problemas, chorar as mágoas, dançar e rir, ou simplesmente esvaziar a cabeça. Ir a um show é uma emoção quase indescritível. Já fui a shows sozinha, sem me importar, porque não iria perder por falta de compania. É impossível se sentir só num show :)
Por que será que a gente fica o dia todo com uma música na cabeça? E por que nunca é uma música legal? Por que as porcarias grudam feito chiclete? Por que será que quando a gente ta com uma música no pensamento, logo uma outra pessoa começa a cantarolar? Por que as pessoas cantam sem perceber? Por que as pessoas cantam errado? Por que cantam na rua? Ainda não descobri estes porquês. Deve ser porque a música permeia a vida a gente de maneira irreversível e sem ela, a vida seria muito sem graça. Ou porque a gente é bobo mesmo! ;)
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Bandeira branca acenando
Não sei o que foi melhor, ao chegar em casa hoje, depois do trabalho: se o fato da minha mãe vir me pedir desculpas por ter pegado pesado na discussão da noite anterior, ou a bajulação reparativa típica de quem quer consertar as coisas. Na realidade eu não esperava nem uma coisa, nem outra, então fui pega de surpresa. Eu esperava achar uma cara emburrada a me ignorar pelos cantos da casa, como de costume. E me deparei com um olhar carinhosamente arrependido! O que a teria feito mudar de idéia? Teria sido a minha irmã, conversando com ela pela manhã? Ou simplesmente, ter percebido que não era pra tanto? Não importa. Eu não soube muito o que dizer, mas tentei reagir naturalmente aos seus agrados. Queria que ela sentisse o quanto foi importante pra mim ouvir o pedido de desculpas, e não encontrei como. Devido à gripe, ela andava mais agressiva que de costume comigo, talvez para chamar a atenção...e ela sempre preferiu "deixar pra lá" e agir como se nada tivesse acontecido cada vez em que estava sem razão, e a gente entendia que aquela era a forma de admitir isso. Daí o espanto com a declaração explícita e gratuita. O canal de comunicação entre nós se fechou há muitos anos, e nem sei se por culpa dela, ou minha. Hoje eu fui trabalhar remoendo a raiva de suas palavras duras, e dizendo a mim mesma que tudo isso é fruto da vida medíocre que ela tem vivido, por opção. E quando voltei e ouvi seu pedido de desculpas, dissipei a raiva feito a fumaça de um incenso, aos poucos. A vida já é complicada demais, então é melhor aceitar suas pequenas dádivas sem demora, pois a trégua pode durar pouco. Hasteei a minha bandeira branca também. Que amanhã seja um dia de paz em casa!
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Distorção
"Por favor, me ajudem a miar..." dizia ela. Não, ela não era uma gatinha bebê, e nem esta frase estava num conto infantil. É o pedido feito por uma mocinha angustiada, na comunidade Pró-Ana e Pró-Mia. Ana, de anorexia, e Mia, de bulimia, distúrbios alimentares com várias comunidades no Orkut, que comecei a fuçar por curiosidade. Queria saber o que se passa na cabeça de alguém que acha que a desnutrição é um padrão de beleza, e li coisas muito chocantes. Esta mocinha, por exemplo, queria descobrir uma forma de miar, ou seja, vomitar, sem sofrimento. A mãe acabara de descobrir seus jejuns prolongados e com razão, deveria estar tentando dissuadi-la. Mas ainda não sabia como vomitar sem agonia. Não obteve ajuda das demais neste quesito, mas recebeu incentivos para continuar praticando o "no food" e quem sabe, driblar a segurança familiar. É claro que não há uma forma de vomitar sem mal estar, seja de maneira natural ou induzida. O normal é a digestão dos alimentos, não a sua devolução sumária. Outra garota abriu um tópico chamado "vomitei sangue". A opinião ficou dividida: parte das pessoas disse que era assim mesmo, que era normal vomitar sangue de vez em quando (depois não querem que as chamem de doentes!), e parte aconselhou a procurar um médico. Aliás neste ponto me surpreendi pois várias vezes as pessoas recomendaram a procura de um médico, em diferentes situações, o que denota uma preocupação com saúde que eu julgava totalmente ausente nestas pessoas. Claro que tinha algumas bobagens também, como uma garota que aconselhava outra a passar por uns 10 médicos diferentes, até conseguir um que aceitasse lhe prescrever os remédios anorexígenos. Dizia ainda para evitar médicas mulheres porque eram as que menos colaboravam ao ver que o IMC estava ótimo (aleluia! Viva as mulheres!).
Quando penso no que leva a alguém querer ser um cabide de ossos, logo me vem à cabeça a imagem de uma passarela. As modelos atuais são verdadeiros cultos ambulantes à anorexia e bulimia, pois é humanamente impossível manter de maneira natural a magreza que ostentam como troféus. Hoje em dia, pra ser modelo tem que ser feia, ter cara de doente, dopada, sem graça. Até quando? Quem vai romper o ciclo vicioso e dar um basta? A sociedade? Os médicos? Os estilistas? E por quanto tempo o efeito nocivo do estilo de vida "no food" vai continuar permeando a mente das meninas, se dessem um basta hoje nisso? Ninguém sabe. Até lá, milhares de garotas (e pasmem, garotos também) irão continuar seus ritos de sacrifício em busca de um visual ultrajante e antinatural. E vão compartilhar seus medos e angústias nos guetos do Orkut. E não vão me convencer de que estão certas....
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Segunda-feira, Fevereiro 07, 2005
Quer minha opinião?
-Cola com glitter é tudo! Nunca mais passo um natal sem ela!
-O melhor do regime é ouvir, de duas pessoas, sendo uma delas um ex-namorado, que você está ótima agora, mas antes também estava (uh uh!) Elogios fazem um bem enorme, tanto pra quem elogia quanto pra quem é elogiado. Pode testar.
-O lado bom da decepção com a colega de trabalho é saber exatamente onde está pisando daqui pra frente, e nunca esquecer que a pessoa é uma cobra, pronta pra dar o bote a qualquer momento. O butantan deveria abrir umas franquias por aí.
-Depois de tanto ouvir falar em tsunamis, não podia deixar de pensar numa metáfora com este tema. É como um fim de namoro: pega você desprevenida e te arrasa em segundos, arranca você do chão, leva o que você tem, te deixa desolado. Mas passa!
-Tem gente capaz de pagar 60 mil reais numa bolsa exclusivíssima, breguérrima, apenas por ser de grife. Tem mendigo que se veste com classe. No meio termo ficamos nós, os reles mortais, torcendo por uma liquidação bacana, mas que não tenha gente se estapeando!
-Aquele telefonema que você esperou o dia todo acontece quando você acaba de entrar no chuveiro. E claro que mesmo dizendo que liga daqui meia hora, a pessoa nunca liga e volta. E tem gente que não acredita nas Leis de Murphy.
- Desconfie de pessoas que falam desviando o olhar, e que evitam encarar o interlocutor. Das respostas rápidas demais também. Confie na sua intuição quando alguém o incomoda, mesmo sem este alguém ter feito nada para você.
-Andar na orla da praia é tudo de bom. Além do exercício físico, você pratica meditação, observação e reflexão. E ainda pode tomar uma água de coco geladinha!
-Você sabe que novela é tudo igual, que é perda de tempo assistir, que não leva a nada. Que pode passar semanas sem ver e quando volta, pega o fio da meada com facilidade. Que o autor vai mudar de opinião por conta da pressão do público. Que os finais são completamente previsíveis e repetitivos. Mas ainda assim, num dia, de bobeira, você não vai pensar em nada disso e vai assistir a um capítulo qualquer e...não para mais. Não sei por que assistir novelas ainda não consta da lista de drogas lícitas!!!
-Muitas iniciativas só são despertadas de dentro pra fora, sem a ajuda de palpites, por mais bem intencionados que eles pareçam. No entanto não há mal algum em tentar abrir os olhos daqueles que amamos. Pra isso é que servem os amigos de verdade.
E a sua opinião? Qual é?
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Sábado, Fevereiro 05, 2005
Jeitinho brasileiro
"É gripe", disse o médico após me examinar. Tive vontade de soltar um irônico "Oooooh! Não diga!", mas me contive. Ninguém vai ao médico por conta de uma simples gripe, ainda que no meu caso, de simples ela não tinha nada: derrubou-me a danada, como há anos não acontecia. Mas vá lá, eu precisava do bendito atestado médico que abonasse as duas faltas cometidas na mesma semana por conta dela, primeiro por minha causa, depois pela infeliz transmissão do vírus ao meu querido Titi, coisa que mãe nenhuma no mundo leva na boa, pois a última coisa que uma mãe imagina fazer é contaminar sua cria tão bem zelada. E dei azar de pegar um médico daqueles bem caxias, que jamais fornece atestado fora da data de consulta. Não adiantou explicar que na terça feira eu fiquei o dia todo de molho, o que não teve nem uma vírgula de exagero, já que eu me sentia como se um trator tivesse esmagado todos os meus ossos sem dó nem piedade. Ele disse que eu deveria ter chamado uma ambulância! Ah sim, imaginem a cena, que linda: 3 chamadas de emergência. A primeira de um senhor com princípio de infarto. A segunda de uma jovem com fratura exposta. E a terceira euzinha, mobilizando mundos e fundos por conta de uma.... gripe! A sirene disparada, o veículo voando pela cidade, os enfermeiros em desespero: uma gripe! Socorram a pobre bióloga!!! Faça-me o favor, não? É óbvio que eu não ia chamar uma ambulância só por isso. Só na cabeça do médico ranzinza mesmo. E eu que não ia ficar ali, insistindo. Já bastava não ter tomado remédio na noite anterior, por medo de melhorar de vez da gripe e aí sim não convencer o homem de que eu precisara de uma dispensa. Ao menos o atestado daquele dia ele teria de me fornecer e se não o fizesse, o do pediatra do meu filho, que passou por consulta cerca de uma hora antes de mim, já valeria.
E não é que o médico resolveu me castigar? Deve ter pensado "ah é, querendo mais um dia? Então vc vai ver...". Mandou-me direto pra sala de inalação. A auxiliar de enfermagem, sorridente, disse que o doutor prescrevera não uma, mas duas inalações seguidas! Com um intervalo de 20 minutos entre uma e outra, numa sala cuja revista mais nova, para folhear, tinha 2 anos!! Saí de lá mais de uma hora depois, com o coração acelerado depois da overdose de Berotec. Era como se eu pudesse ouvir as risadas do doutorzinho vingativo do outro lado do corredor! Mas sobrevivi, com dignidade. De volta ao trabalho, deixei a dignidade estacionada na porta da sala do chefe e pedi arrego. Não contei as aventuras no consultório do doutor invocadinho, mas expliquei o motivo das faltas, mostrei o atestado do dia anterior e ganhei a indulgência pré-carnavalesca de que precisava. Neste ponto nunca poderia reclamar do meu chefe, pois ele pode até pegar no meu pé ou não ir com a minha cara, mas sempre foi benevolente com quem tem motivos sérios. Ou seja, no final das contas, eu nem precisei recorrer ao jeitinho brasileiro negado pelo doutor certinho.
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