Calliantéia...

...é a soma de POLIANTÉIA, que significa "reunião de variados dados de um determinado tema" e CALLIOPE, minha identidade virtual há 10 anos, nickname que sempre uso, retirado da Mitologia Grega.





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Terça-feira, Março 29, 2005

Inferno e paraíso

Aproxima-se o mês de abril, com seu especial significado para mim: é o mês de minhas férias. De descanso, passeio, despertador desligado. De ver o por do sol inteiro, trocar o dia pela noite, esquecer a agenda. De ter mais tempo com meu precioso filho. Tempo de arrumar as coisas que o dia a dia não deixa. Deveria ser tempo só de coisas boas....mas não terei a sorte de um abril plenamente feliz. Por que? Porque a exato um ano atrás eu tive as piores férias da minha vida, e não terei como esquecer isso quando nela estiver novamente. As feridas voltarão a sangrar, porque jamais foram devidamente cicatrizadas. Porque até hoje não sei porque fui merecedora de tamanho castigo do destino. Porque fui abandonada, pisada, maltratada, sem explicação, pelo homem que eu amava. E por mais que o tempo tenha trazido o consolo e secado as lágrimas, jamais terei sossego enquanto não souber o porque. Seja ele qual for, eu tenho o direito de saber. Nenhuma resposta pode ser mais cruel que o silêncio de um ano inteiro.
E justo agora, que tal data se aproxima, recebo pelo msn uma animação em powerpoint entitulada "Vampiros". Não acredito em coincidências, e receber este texto é a prova de que nada é por acaso. A pessoa que me enviou, apesar de queridíssima, não me conhece suficientemente bem. Não sabe que o texto atravessou meu peito feito uma flecha, nem o quanto me reconheci em cada uma daquelas linhas. Talvez seja a resposta que procuro por todo este tempo.
Decidi falar nisso antes das férias começarem, semana que vem. Decidi vivenciar esta angústia, que julgava extinta em meu peito, para ter paz e sossego no meu merecido descanso. Compartilhar o fardo para deixar mais leve. E se vc me encontrar no feriado, não me pergunte como estou, para que eu fique bem. Eu não preciso de memória....
Segue o texto:

Vampiros


Eu não acredito em gnomos ou duendes, mas vampiros existem, acredite! Fique ligado, eles podem estar numa sala de bate-papo virtual, no balcão de um bar, no estacionamento de um shopping. Vampiros e vampiras aproximam-se com uma conversa fiada, pedem seu telefone, ligam no outro dia, convidam para um cinema. Quando você menos espera, está entregando a eles seu rico pescocinho e mais. Este "mais" você vai acabar descobrindo o que é com o tempo.
Vampiros tratam você muito bem, têm muita cultura, presença de espírito e conhecimento da vida. Você fica certa que conheceu uma pessoa especial. Custa a se dar conta de que eles são vampiros, parecem gente.
Até que começam a sugar você.
Sugam todinho o seu amor, sugam sua confiança, sugam sua tolerância, sugam sua fé, sugam seu tempo, sugam suas ilusões. Vampiros deixam você murchinha, chupam até a última gota. Um belo dia você descobre que nunca recebeu nada em troca, que amou pelos dois, que foi sempre um ombro amigo, que sempre esteve à disposição, e sofreu tão solitariamente que hoje se encontra aí, mais carniça do que carne.
Esta é uma historinha de terror que se repete ano após ano, por séculos. Relações vampirescas: o morcegão surge com uma carinha de fome e cansaço, como se não tivesse dormido a noite toda ... e você se oferece para uma conversa, um abraço, uma força.
Aí ele se revitaliza e bate as asinhas.....
Acontece em São Paulo, Manaus, Recife, Bahia, Rio, Florianópolis, em todo lugar, não só na Transilvânia. E ocorre também entre amigos, entre colegas de trabalho, entre familiares, não só nas relações de amor.

Doe sangue para hospitais. Dê seu sangue por um projeto de vida, por um sonho. Mas não doe para aqueles que sempre, sempre, sempre, sempre vão lhe pedir mais......

....e retribuir jamais.

autora: Martha Medeiros



O meu vampiro tinha até nome de vampiro: Lestat. Como pude achar que ele era humano? Só podia mesmo ser um vampiro. Da pior espécie e estirpe. Roubou dois anos de minha vida, um pedaço da alma e outro do coração. Mas quer saber? Sobrevivi! Ainda sou humana! Humana como ele jamais será. Esta é a minha vingança.

Postado por Calliope, em 10:25 PM
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Quarta-feira, Março 23, 2005

Diva, daquelas bem dadivosas



Desde que me tornei fã da Ana Carolina, sonhava em ir a um show dela e assistir de pertinho, do começo ao fim. Nas duas primeiras vezes não foi possível, e ainda assim foram maravilhosos. Mas na sexta passada, dia 18, pude finalmente realizar meu sonho, e o que é melhor, num show na minha cidade!! Não pensei que a Ana faria um show aqui, muito menos no Ilha Porchat Clube, mas foi exatamente isso que houve.
Cheguei bem cedo ao local, horas antes do início do show. Achei que seria uma das primeiras: que nada! O pessoal do fã clube madrugou no portão antes de mim, eu sabia que mesmo assim, conseguiria um bom lugar.
Não seria uma tarefa fácil ficar nas primeiras fileiras,mas eu estava disposta a encarar tudo. Os portões se abriram as 10:00 h, e até a meia noite foi aquele empurra-empurra, calor, aperto, sufoco, gente reclamando, gente desmaiando, gente passando mal, que dava até medo. Mas eu estava ali, na beira do palco, em frente ao pedestal onde ela ficaria, mal acreditando nisso, e nada me faria desistir! Até um morcego apareceu, dando vôos rasantes pela platéia, que quase ficou histérica (e eu com pena do coitado...). Eu estava cansada, desidratada, estressada com as reclamações ao redor, suada e espremida, mas sabia que quando ela entrasse no palco, tudo isso seria secundário....e foi mesmo! Ela chegou com um sorriso lindo, vestida de preto, simpática com o público, e arrasando em "Uma louca tempestade". Nos primeiros momentos eu fiquei paralisada pela emoção, mal conseguia me conter. Ela estava ali, a pouco mais de um metro de distância, e eu me senti a mais feliz de todas as criaturas da Terra. Não sabia se ria, se chorava, se cantava, se a admirava, e acabei num misto de tudo isso.
O show foi bem parecido com o de São Paulo, com a banda completa, diferente do de Santos, que foi só violão e voz. Teve o espetáculo com pandeiros (ela e banda), teve o momento do banquinho e violão, onde ela cantou a música nova, teve o telão com cenas e palavras ao fundo. Eu quis morrer por não ter levado uma máquina fotográfica, mas quis morrer mais ainda quando ela cantou &É mágoa", numa emoção profunda, mostrando que esta música mexe demais com ela também.
Em certa hora ela olhou para mim. Não foi impressão não, ela olhou mesmo, afinal eu tava bem na frente, cantando absolutamente tudo, vidrada, completamente entregue a aquela emoção, de corpo e alma...e ela sorriu pra mim! Daí não teve jeito, eu cai no maior choro :) A menina ao meu lado, com quem eu tinha feito amizade na fila, gritou: " ela olhou pra vc!!!!!", e foi a confirmação de que não foi uma mera impressão. Pra Ana, um olhar de relance para um público apaixonado, igual a milhares de outros públicos, em milhares de outros shows, mas pra mim...era a coroação deste sonho, o momento mágico que todo fã idealiza, a de ser percebido, e ser agraciado com um sorriso....meu Deus, não sei como não desmaiei! Só quem é fã beeeem fã entende o que senti naquele momento.
Se eu fosse um pouquinho menos forte, teria sido arrancada de onde eu estava, no empurra-empurra. Principalmente quando a Ana jogou uma toalha ao público e caiu perto de mim, e foi aquele desespero durante uma canção inteira pela disputa. Eu fiquei de fora dela, pois não queria me machucar, e também não estava tão interessada no "prêmio", mas ainda assim sofri com cotoveladas e empurrões violentos. Uma garota ao meu lado empurrou-me praticamente o show todo,e lá pelas tantas, enfiou a mão na grade, ao meu lado, e forçou a passagem. Como eu não cedi, apesar da dor no braço, fui parar junto com ela na grade, e lá fiquei da metade do show pra frente, numa recompensa por ter agüentado tanta brutalidade. Aí sim, foi a glória total :) Gritei " Ana, você é linda!!!" e mais uma vez, ela sorriu pra mim. Pronto, agora eu já podia morrer feliz, hehehehe.
Eu pulei, cantei, dancei, festejei, me emocionei, gritei, e mal senti o tempo passar. Foi um dos melhores dias de toda a minha vida e eu jamais vou esquecer isso. Na saída, encontrei o Sabiá, meu estagiário, e com seus amigos fui tomar cerveja na Biquinha, tirando forças não sei de onde, pois estava exausta. E feliz!

Postado por Calliope, em 12:20 AM
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Domingo, Março 20, 2005

O bom velhinho (e nem era o papai Noel!)

Cena típica da visão do inferno: ir ao banco em dia de pagamento, tipo quinto dia útil do mês. De vez em quando todo ser humano tem que enfrentar isso, né? Era a minha vez. Lá fui eu, munida de um walkman e uma dose de paciência, enfrentar a fila. E olha que eu nem ia entrar no banco, a fila era pros caixas eletrônicos mesmo, o que me poupava de outra cena chata, a de passar no detector de metais da porta giratória. A fila lenta, imensa, formada por rostos sisudos, descontentes, impacientes, seguia serpenteando pelo corredor, enquanto o plin-plin-plin de gente usando os caixas era repetido até a exaustão. Pobres daquelas mocinhas atendentes, num esforço sobrehumano para parecerem simpáticas com o batalhão de semi-analfabetos digitais, que por mais que freqüentem os bancos, jamais sabem se virar sozinhos num caixa eletrônico.
Um papinho furado ali, um erro na leitura do código de barras acolá, a incrível capacidade das pessoas em desarrumar a fila, e de repente chega um velhinho, beeeem velhinho mesmo. Cabelos completamente brancos, pele marcada pelo tempo, andar calmo, uma indefectível boina. Teria passado por todos nós sem chamar atenção, ou chamado, por uns instantes, e logo seria esquecido, no dia apressado, não fosse a sua imensa simpatia, o sorriso largo, a gargalhada gostosa, solta aparentemente por nada. Chegou cumprimentando a todos, como se fossem conhecidos de longa data, dizendo gracejos, arrancando sorrisos daquelas caras sisudas. Até a mocinha atendente estressada sorriu! Um senhor logo a minha frente desdenha, fazendo um gesto que dizia "é louco". Mas não satisfeito pelo fato de ninguém se manifestar, verbalizou o pensamento, chamando o velhinho de biruta, dizendo que não quer ficar velho por isso....
Não sou dada a falar com estranhos, nem gosto que venham puxando papo. Mas não resisti e rebati, dizendo que era preferível assim, do que um velho rabugento, reclamando de tudo, maldizendo o dia, lamentando o parco dinheiro a ser sacado, a dor nas juntas, nas costas, o filho ingrato que não ajudava, etc. Antes assim que doente, numa cama, sem esperança, nem alegria. Antes assim do que maltratando o atendente que repete cinco vezes a operação porque a pessoa esquecera a senha correta. E todos que estavam à nossa volta concordaram comigo, porque por alguns instantes, aquele senhor nos fez esquecer o quão massante era estar ali, de pé, aguardando a vez. Quer saber? Se eu chegar a velhice, quero ser exatamente assim, celebrando a vida, deixando de lado o mau humor que nada resolve, nem mesmo faz a fila andar mais depressa. Quero ser uma velhinha moderna, que sai pra dançar, que viaja, ou que simplesmente não se deixe abater de forma fácil.
O tal velhinho me lembrou o teste dos dez anos. Quando alguma coisa te incomodar no trabalho, em casa, num relacionamento, etc., pergunte a você mesmo que importância este fato terá em sua vida daqui a dez anos e veja se vale a pena brigar por isso. E você vai ver quanto tempo e energia a gente desperdiça com o que não vale!
Vai ver foi isso que aquele senhor descobriu. E o quanto a vida é efêmera, e que daqui a dez anos ele nem esteja vivo. E resolveu aproveitar já. Vou lembrar dele mais vezes, quando a vida arrumar aí uns limões pra gente descascar!!


Postado por Calliope, em 9:21 PM
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Sexta-feira, Março 11, 2005

Depois eu faço...

Quanta coisa a gente vai acumulando, na correria do dia a dia! Outro dia resolvi olhar as pendências na agenda do trabalho, querendo organizar o que está por ser feito, e me dei conta que não é só por lá que existem coisas por fazer. Atualizar o programa antivírus do computador, descobrir como o icq parar de abrir automaticamente ao ligar o micro, arrumar o guarda roupa, comprar CD, visitar ou ligar pros amigos sumidos, tudo vai ficando pra depois, mais tarde, quando sobrar tempo. Mas o tempo não sobra nunca, pelo contrário, até falta, justamente pela falta de organização do dia a dia. Ainda bem que às vezes a gente finalmente cai em si, deixa a preguiça e as desculpas de lado, e bota ordem na pensão!
Esta semana fui fazer compras de coisas que eu precisava há tempos, como uma bolsa nova, e roupas. Lingerie então, há séculos eu não adquiria :) Contrariando a regra de que toda mulher com um cartão de crédito na mão é um perigo, fui prudente, não me excedendo nos gastos. Com 20 kg a menos, tava mais do que na hora de eu me presentear, né? Ainda falta uma porção de coisas. A tinta pro cabelo tá na gaveta há uma semana, aguardando um dia de folga. Ando paquerando uma academia que fica entre o trabalho e minha casa, mas ainda não criei coragem pra freqüentá-la. Preciso arrumar um novo transporte escolar pro meu filho, fazer o kazaa funcionar, matricular a minha mãe na faculdade da terceira idade (e convence-la a freqüentar). Prometi há tempos levar o Tiago pra conhecer o Museu de Pesca, em Santos. Tenho que devolver a fita VHS da Sônia, achar o CD ROM da Priscila e convidar a Nayra para um programa de Educação Ambiental no mangue. E fazer corretamente a declaração do imposto de renda, deste e do ano passado. E marcar consulta no endocrinologista. E dar uns mergulhos à noite, na praia, de preferência, numa lua cheia. Tanta, tanta coisa, que mal sei por onde começar! Mas se tem algo em que eu sou boa, é nisso de fazer listas de coisas pendentes. É por ai o caminho :)

Postado por Calliope, em 12:10 AM
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Domingo, Março 06, 2005

Nossa, a minha foto com a "Porquinha" fez tanto sucesso, rendeu tanto, que acabei nem publicando mais! Mas enfim, o bom filho à casa torna :)

Ano novo, turma nova!

Por conta da mudança de prefeito e das regras para contratação de estagiários, o ano novo trouxe, de uma só vez, toda uma turma de estagiários ao setor. Isso nunca tinha acontecido antes, e a proporção entre estagiários contratados e voluntários se inverteu (agora a maioria é contratado), trazendo uma maior estabilidade para a equipe.
Posso dizer que dei muita sorte com a minha equipe: num concurso público para estagiário de Biologia onde só foi cobrado português, matemática e história (dá pra acreditar???), consegui uma turminha muito boa, empenhada, dedicada, bem humorada, que já chegou mudando a cara do setor, e que também se deparou com um setor de novas regras. O fato de entrarem todos na mesma época facilita o entrosamento e cria uma cumplicidade no grupo. É a chance de mudar que eu queria e que o setor precisava! Claro que ainda tem alguns "remanescentes" da turma anterior (Natália, Íris, Alexandre), pois pros bons estagiários nunca faltará lugar, e são pessoas cujo perfil se encaixa neste novo grupo.
Um dos locais que mais ganhou mudanças foi a cozinha. Logo que vi o pessoal se mobilizando pra comprar utensílios, fazendo listinha do que precisava, propus uma festinha, tipo "chá de cozinha", e deu super certo. Até a torneira assassina foi trocada! Reaproveitamos um armário encostado, reativamos a coleta seletiva, fizemos novas tabelas. Agora tem cafezinho todo dia (e feito pelos rapazes!), e a louça vive lavada e guardada :) Eu procuro estar bem perto, atenta as necessidades, orientando mais as atividades. A segregação completa da Educação Ambiental não é mais necessária. E ao contrário do que disseram numa das mesas da Toca do Leão, eu creio que terei um bom ano!


Eu e as meninas


Eu e os meninos


Os presentes do chá de cozinha

Postado por Calliope, em 10:30 PM
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