Calliantéia...

...é a soma de POLIANTÉIA, que significa "reunião de variados dados de um determinado tema" e CALLIOPE, minha identidade virtual há 10 anos, nickname que sempre uso, retirado da Mitologia Grega.





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Domingo, Outubro 23, 2005

Males que vem para o bem

Semana passada, no trabalho, tivemos uma difícil tarefa a cumprir. Quando a leoa Noala entrou em trabalho de parto, a equipe da veterinária teve que optar por uma cesariana, pois mais uma vez a situação estava complicada e ela não estava conseguindo ter o filhote naturalmente. A partir daí todo o setor se envolveu na operação, cada um em sua função, todos com o mesmo objetivo: fazer o possível para tudo correr bem. As tarefas foram divididas, as regras estabelecidas, os limites de cada um mostrados. Quando a Noala foi anestesiada, já sabíamos que o filhote estava sem vida, e lutamos para que a mãe não tivesse o mesmo destino. Foram 7 horas de cirurgia, entre a cesariana e em seguida a castração, para enfim poupar a Noala de futuros sofrimentos como este. Horas de tensão, apreensão, medo, mas com fé. E com um trabalho em equipe, integrado e sincronizado que eu não via há tempos! Pela primeira neste ano não haviam divisões, panelas, fogueira de vaidades ou discórdias, mas uma verdadeira equipe onde todos foram importantes: técnicos, estagiários, tratadores e chefes. Ninguém querendo se sobressair ou tirar vantagens, respeitando o trabalho do outro. Ao final, todos estavam exaustos, mas satisfeitos com o resultado, pois correu tudo bem. E no dia seguinte, o que parecia perdido pra sempre, retornou: o bom clima do grupo! Funcionários que mal se cumprimentavam trabalhando juntos na mesma tarefa. Sorrisos, cordialidade, amenidade. Boa vontade uns com os outros.Foi preciso uma situação extrema para entendermos o que realmente vale a pena. Para quebrar um pouco os muros da indiferença e da maledicência. Deveria ser sempre assim...Mas enfim, antes tarde do que nunca. Eu não conversei com muitas pessoas sobre esta minha impressão, mas com as poucas que comentei, concordaram comigo. Não sei dizer se todo mundo sentiu assim, ou enxergou as coisas por este ângulo. Mas enfim, eu creio que as coisas vão melhorar um pouco daqui pra frente, e fico muito feliz com isso. Tenho revisto meu modo de ser, de agir e de pensar em relação ao trabalho (e não só a ele....), e boas mudanças vem de encontro ao que desejo: que tenhamos um clima de paz para fazer o que for preciso. A Noala? Esta tem se recuperado, um pouco a cada dia....não dá pra dizer que está tudo bem com ela, mas é um bom começo. Como o pessoal do trabalho :)

Postado por Calliope, em 8:38 PM
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Flores aos novos amigos!

Graças ao querido amigo Ivan, que tem indicado meu blog para seus leitores, e ao recém criado NBA (Nossos Blogs Amigos), grupo do qual também faço parte, este blog tem recebido novas visitas e comentários :) Espero que todos se sintam "em casa"!
Estou adorando a idéia de um novo grupo de discussão e também tenho gostado muito de ler novos e bons blogs. Na correria imensa do dia a dia, perdi um pouco a busca pelo novo, o fuçar por outros caminhos, conhecer outros blogs e fazer novos amigos, e o NBA trouxe um pouco disso de volta. Me sinto como nos tempos de Whiplash, onde eu lia e respondia e-mails dos grupos antes mesmo de tomar o primeiro café do dia (e quem me conhece sabe que eu não funciono antes do primeiro café!!). Um grupo sobre amigos blogueiros e seus universos é bem interessante, eu sempre quis saber um pouco mais sobre como os outros escreviam, o que os motivavam, pensavam, etc e tal. Por isso apesar de estar extremamente atarefada no trabalho, reservo um pouquinho do meu tempo ao novo vício :) Afinal se o Ivan consegue dar conta, eu também consigo, já que a agenda dele é muito mais cheia que a minha, diga-se de passagem. Assim como a Legião Urbana foi capaz de aglutinar o pessoal da UOE (Uma Outra Estação) num "grupo seleto de pessoas de gosto refinado"(como costumamos brincar), creio que o blog (e a pessoa carismática) do Ivan foi capaz de aglutinar pessoas diferentes, de pensamentos diferentes, mas com algo em comum, como dizia o Cleber, meu amigo, acerca da UOE. Se vai dar certo como a UOE ou errado, como a Whiplash, eu não sei. Mas sei que quero continuar :) O mundo anda complicado demais e as pessoas, cada vez mais distantes e solitárias em pleno século da comunicação, portanto façamos algo pra sair destas estatísticas!
Aos novos amigos, boas vindas. Aos de sempre, o meu carinhoso abraço!

Postado por Calliope, em 7:58 PM
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Terça-feira, Outubro 11, 2005


Carta Póstuma

...E quando eu for embora,
não, não chore por mim....






Você pediu, Renato, pra gente não chorar.... Seu último CD foi cheio de um adeus dolorido, mas a gente só se deu conta totalmente disso quando você partiu. No dia em que você partiu, há exatos 9 anos, eu senti como se um pedaço da minha adolescência tivesse sido arrancada de mim. Eu quis saber de você, sua vida particular, tudo que nunca tinha me interessado, porque perder você foi um baque muito grande. Você fez a trilha sonora da minha vida como ninguém mais. A mais perfeita tradução dos meus sentimentos, até daqueles que eu nem sabia que tinha. E eu nunca te escrevi. Senti vontade, algumas vezes, de te dizer o quanto você era importante pra mim, mas nunca o fiz. É um gosto amargo que fica na minha memória por isso, porque eu sempre fui como If tomorrow never comes , aquela coisa de sempre demonstrar o que se sente enquanto se pode. Você ofereceu um de seus discos "a todos os que me escreveram" e eu não estava entre eles. E hoje estou aqui, escrevendo uma carta que você não vai ler, mas onde quer que esteja, há de sentir o meu carinho, a minha reverência, a minha doce lembrança. Você vai estar pra sempre aqui conosco, em suas letras e músicas que continuam embalando gerações e encantando a todos. Desculpe se não pude atender ao seu pedido pra não chorar. Hoje, tanto tempo depois, ainda é difícil aceitar. A gente fica imaginando como seria se você estivesse aqui, o que estaria fazendo. Mas agora você está aí, voando pelo caminho mais bonito, como cantou em Clarisse. Eu espero que esteja bem, eu desejo de todo o coração que assim o seja. Eu continuo aqui/ com meu trabalho e meus amigos/ e me lembro de você em dias assim/ em dias de chuva/ dias de sol/ e o que sinto não sei dizer....Vai com os anjos, vai em paz. Eu amo você.

Postado por Calliope, em 1:14 PM
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Quarta-feira, Outubro 05, 2005

Um outro olhar sobre as coisas

Eu estava terminando minha caminhada matinal quando, na porta do meu trabalho, dei de cara com uma enorme poça de sangue, uma visão nada aprazível para aquela hora da manhã. Por alguns instantes, enquanto me aproximava, mil coisas se passaram pela minha cabeça: seria humano ou animal? Era recente, ou foi à noite que se derramou? Será que os guardas já haviam visto? Mas ao chegar mais perto da poça, todas as dúvidas se dissiparam, ao sentir um forte cheiro de....groselha!!!
Junto com o alívio, veio a reflexão: as vezes não é a situação em si que precisa mudar, mas o jeito com que olhamos para ela. Ao usar o sentido da visão, imaginei algo terrível, que o sentido do olfato facilmente corrigiu. Se um sentido engana o outro no plano físico, que dirá nos pensamentos e julgamentos que fazemos! Assim, se olharmos as adversidades, os problemas, os desencantos da vida sob o ponto de vista de um outro ângulo, evitamos pelo menos em parte o sofrimento, a lamentação e a agonia que geralmente os acompanham. Ao compreender os problemas sob a perspectiva espiritual, nos damos conta da efemeridade da vida, do quão pequenos e insignificantes são os obstáculos, frente a eternidade que nos aguarda. Que as provas servem ao nosso crescimento e evolução. Que Deus nunca dá um fardo mais pesado do que possamos suportar. Esta consciência faz com que deixemos de lado o comportamento de "vítima" da situação, passando a parar de culpar os outros, a sorte ou o destino pelos infortúnios criados por nós mesmos, através de nossas ações passadas.
Eu precisei chegar bem perto da poça para me dar conta de que não era feita de sangue, e precisarei chegar muito mais perto de meus problemas, meus defeitos e medos, para então agir sobre eles, impedindo que me dominem. Afinal, alguns deles podem não passar de groselha derramada no chão!

Postado por Calliope, em 12:44 PM
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