Quinta-feira, Fevereiro 23, 2006
Doendo junto
"Me tira daqui!"
Esta era a mensagem que o triste olhar do Tiago trasmitia e que meu coração de mãe não podia atender. Deitado na cama do hospital, ardendo em febre, meu pequeno estava desesperado para sair daquele lugar em que tanto estivemos nos últimos dias. Estávamos esperando sair o resultado de mais um exame de sangue e nem a TV, nem os desenhos da Disney pintados na parede o distraíam mais. Eu ficava repetindo que tudo ia ficar bem, que logo sairíamos, segurando sua mãozinha, e juro que se pudesse, pediria a Deus que passasse para mim toda a sua dor. Depois de quase uma semana, consultas com 3 médicos diferentes e vários exames, veio o diagnóstico final: dengue! Titi era até então o único não contemplado com esta terrível doença lá em casa (morar pertinho da praia e da mata atlântica às vezes tem suas desvantagens...). Por sorte as dores no corpo e o cansaço o fizeram dormir, porque o exame só saiu quase 4 horas depois, uma espera horrorosa!
Não há muito o que fazer: deixar ele em repouso (pense nisso pra uma criança de 5 anos que não pára), hidratar bem e esperar o ciclo se completar. Ainda bem que ele, como eu, bebe muita água, então não foi nenhum sacrifício aumentar a quota de sucos, leite e água.Na esperança de recompensar ao menos um pouco por aquele sofrimento comprei o Power Ranger Força Animal novo que ele tanto queria, e por alguns instantes ele até esqueceu da dor e teve seu brilho do olhar de volta. Agora ele está quase curado e eu, quase aliviada. Mas duvido que eu esqueça daquele olharzinho suplicante pedindo ajuda....
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Domingo, Fevereiro 12, 2006
Sobre quinta-feira a tarde
Se alguém perguntar por mim, diga que saí, pisando em poças d'água e cantando na chuva. E que meu sorriso iluminou o caminho a ser magicamente trilhado. Diga que a alegria me tirou para dançar e que de tão leve, alcancei o céu num piscar de olhos, rodopiando entre nuvens e estrelas.
E se perguntarem se eu estava só, meu olhar reluzente responderá por si mesmo, num misto de encanto e medo. Diga que deste sonho não quero acordar, porque a realidade pode me machucar. Que um raio congelou o tempo para a gente passear sem pressa, saboreando cada instante como se fosse o último, numa coerência de pensamentos, de gostos, de desejos, que fazia a conversa fluir natural e gostosa, daquelas de esquecer o mundo inteiro do lado de fora. Que o perfume de alfazema e alecrim invadem o ar e que outra vez me sinto com o coração de menina e a alma de adolescente, suspirando entre corações desenhados nas páginas do diário, já ansiando pelo próximo encontro.
Se alguém perguntar por mim, diga que não tenho hora para voltar, mas que sei quando terei de estar de volta, e que adiarei o máximo que puder este retorno. Que a mais leve brisa é capaz de me tocar o espírito e me fazer planar pelos ares. E que há muito tempo eu não me sentia tão feliz, querida, desejada, aconchegada....Diga que até já parou de chover e eu nem percebi, porque este momento mágico me envolveu por inteira, deixando meu coração em paz.E que estou plantando flores para perfumar o caminho de todos que aqui passarem, compartilhando assim esta magia inebriante.
...e que a partir de hoje, eu amo os dias de chuva mais cinzentos!
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