Terça-feira, Outubro 10, 2006
Respeitável público!
Alguns lugares a gente só visita quando somos ou quando temos crianças. É o caso do lugar onde levei o Titi no domingo: o circo. Ele nunca tinha estado em um, mas como toda criança, já conhecia esse universo mágico. O Orlando Orfei está em Santos há quase um mês, mas eu até então achava que ele possuía animais, já que seu dono figurou em uma reportagem do Fantástico, criticando a atual postura contra a presença destes nos espetáculos. Eu jamais levaria o meu pequeno a um circo com animais depois de descobrir o quanto eles sofrem, por mais condições e mais estruturas que o circo ofereça. Mas enfim descobri que este não os tinha, e resolvi que já era hora do Tiago conhecer de perto tamanho espetáculo, um bom jeito de se começar a semana da criança!
Há muitos anos eu não ia a um circo e gostei muito deste. Grande, com suas lonas azuis cobertas de estrelas, corredores de tecido de cores vivas, cortinas de veludo vermelho e dourado, luzes piscando, tornava a nossa chegada muito aconchegante. Lá dentro, um grande picadeiro, música alegre, bastidores apressados, tudo muito grande, muito alto, muito colorido, criando aquela expectativa gostosa. As boas vindas são dadas pelo apresentador, e o show se inicia. Passam malabaristas, trapezistas, palhaços, contorcionistas, ilusionistas, sempre muito talentosos e fortemente aplaudidos, deixando não apenas o Titi, mas todas as crianças boquiabertas. A magia está nos truques, nos sorrisos largos, na maquiagem bem feita, nos figurinos tão decorados. Na leveza dos movimentos, na sincronia de coreografias, na força que modifica os limites do corpo e desafiam a gravidade. Os artistas circenses encantam o público de todas as idades, e com toda razão.
Nos dias de hoje, onde figuram a violência, a pornografia, a inversão de valores e quebra de costumes e tradições, o circo resgata a diversão familiar, pura e simples, que por instantes nos transporta pra um mundo lúdico, mágico e gostoso. Aliás esse ambiente familiar é algo que está bem agregado ao valor do circo, ao vermos trupes formadas por pais, mães, filhos, tios, sobrinhos....Uma das apresentações que mais gostei foi de uma menina de uns 12 anos, impecável no malabarismo com os pés, que tinha como partner uma senhora idosa, que olhava para ela com o olhar mais coruja do mundo. Ao terminar a apresentação, foi explicado tratar-se de avó e neta, mas nem precisava, de fato, tamanha era a admiração mútua e a semelhança nos traços. Eu até imagino que aquele número, um dia, tenha sido figurado pela avó, quando nova. E que coisa mais linda ela ainda brilhar no palco daquela forma!
Ao final do espetáculo, um show de águas dançantes, com luzes e cores, ao som de música clássica me fez pensar no papai, que adorava este tipo de música. Reviver a emoção do circo, e ver a satisfação do meu filho ao conhecê-lo, fez o passeio valer imensamente a pena. E quer saber? Os animais não fizeram a menor falta!
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