Terça-feira, Janeiro 23, 2007
Ah, no meu tempo....
Por que as vezes me torno tão nostálgica?
Porque eu sou do tempo em que a farinha de trigo e o açúcar vinham em embalagens de papel. Do CEP com cinco números e prefixo de telefone com dois. Telefones estes que a gente tinha que discar, rodando o dedo em cada número. Do tempo em que a agulha da vitrola gastava e a gente tinha que comprar outra pra ouvir os discos de vinil. Dos cascos retornáveis de refrigerante, que eram consumidos só aos finais de semana. De ter que esperar a televisão esquentar as válvulas pra poder aparecer a imagem e de pedir pro irmão mais novo aumentar e diminuir o volume da TV (além de mudar de canal). Dos eletrodomésticos pesados e enormes! Das modelos de rostinho arredondado e do Brasil inteiro parar pra ver o concurso de Miss Brasil. Da zebrinha do Fantástico dando os resultados dos jogos de futebol. Das fichas telefônicas (as locais cinza e as de DDD azuis e mais pesadas). Da moeda trocando de nome e de valor. Da máquina de escrever e do mimeógrafo....Da infância sem piscina de bolinha e cama elástica, e da adolescência sem shopping, celular e internet. Da censura proibindo filmes e peças de teatro, mandando riscar faixas nos discos e anunciando a faixa etária antes de cada programa na TV. Da tampinha metálica do iogurte mais dura e o conteúdo, mais espesso. Da bala soft que quase matava e do fermento em pó em que a colher não entrava. Do lixo forrado com jornal, colocado com lata e tudo na frente de casa (e o lixeiro esvaziava e devolvia a lata!). Dos absorventes imeeeensos e sem gel que a gente socava na parede pra não marcar na calça justa. Das propagandas de cigarro mostrando esportes radicais que fumantes não tem fôlego pra praticar. Do merthiolate que ardia pra caramba!!! Do talco para adultos (até hoje lembro o cheirinho do Cashmere Bouquet que a vovó usava). Das fitas cassete de diferentes tipos, e dos VHS. Todas essas coisas que meu filho mal conhece....rs. Algumas fazem falta, outras, nem tanta. E você, do que lembra?
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Terça-feira, Janeiro 16, 2007
Conversa ao pé do ouvido
Eu: Você de novo?!?!
Ela: Pois é. Na verdade eu já cheguei há alguns dias.
Eu: Eu sei. Um mês, pra ser mais exata.
Ela: Então você fingiu que não me viu!
Eu: Não, não mesmo. Apenas não tive o que te dizer. E você também não veio falar comigo, hum?
Ela: Achei que você não quisesse, não quis forçar a barra.
Eu: Não quis?!
Ela: Se você vai ser irônica, não digo mais nada!
Eu: Seria mais condizente com o que você representa, não acha?
Ela: Mas é você que sempre me questiona!
Eu: E te incomoda isso?
Ela: Nem um pouco. Você sabe.
Eu: É, eu sei. Eu é que estou um pouco incomodada. Afinal desta vez não fui quem te chamou. Toda vez que você vem assim, me sinto uma perdedora.
Ela: Não necessariamente. Todo mundo precisa de mim de vez em quando.
Eu: Tava demorando pra começar a se gabar....
Ela: Estou mentindo, por acaso? Não....não faria isso contigo. Te quero bem. Cedo ou tarde eu acabo voltando pra você....
Eu: É uma certeza um tanto quanto amarga. Mas já não sinto tanto medo disso, como quando eu era mais nova.
Ela: Você gostava de mim, não gostava? Ao menos era o que parecia, quando me abraçava.
Eu: Sim, eu gostava mais do que agora. Eu te aceitava melhor, porque acreditava que teria você pra sempre ao meu lado.
Ela: E agora, esse sentimento mudou??
Eu: Mudou sim. Antes isso era uma sina, um fardo, um casulo. Eu não conhecia nada da vida, e tanto te queria quanto te evitava. Morria de medo de ti.
Ela: Entendo. Hoje você me aceita, talvez porque me entenda melhor, talvez porque saiba que a porta não está trancada. E que nada é pra sempre. Acertei?
Eu: Na mosca. Aliás como sempre. Esse seu ar de sabe tudo me irrita profundamente!
Ela: Deixa de ser arredia, mulher! Não depende do seu querer, então relaxe.
Eu: Isso significa que você vai ficar por muito tempo, desta vez, eu presumo.
Ela: Então presuma bastante, porque sabe que não vou te dar essa resposta.
Eu: Ferrou-se! Pelo visto a temporada vai ser longa!
Ela: Sabes que depende mais de você do que de mim.
Eu: Mas você tem de reconhecer que eu tentei te manter longe desta vez....
Ela: Hahahahahaha! Piada boa essa! Conta outra!
Eu: E não? Você quer nomes? Datas? Lugares?
Ela: Sinto dizer mas estes teus últimos envolvimentos foram....como posso dizer isso amistosamente.....efêmeros? Dúbios? Insossos?
Eu: Tá, tá bom. Não te convenceria mesmo. Fico quieta.
Ela: Então vem cá e me dá um abraço...
Eu: Não exagera!
Ela: Certo. Como eu já disse, não forço nada. Teremos tempo pra você me aceitar. No fundo você me ama.
Eu: É praga isso?!
Ela: Oooooolha....
Eu: Estou brincando..... Não me olha assim, vai...Bem vinda, amiga.
Ela: Só amiga? Rsrsrs
Eu: Me dá colo?
Ela: Sempre que quiseres, meu bem.
Eu: Obrigada, Solidão!!!!!!
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Quarta-feira, Janeiro 10, 2007
Quebrando o silêncio....
Preciso Me Encontrar
Marisa Monte
Composição: Cartola
Deixe-me ir, preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar
Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer, quero viver
Deixe-me ir preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar
Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Quando eu me encontrar
Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas do rio correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer, quero viver
Deixe-me ir preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar
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